sábado, 4 de abril de 2026

Uber no Recife: inovação, conflito e disputa de sentidos

chegada da Uber à cidade do Recife, em março de 2016, marcou mais do que a introdução de uma nova tecnologia de mobilidade urbana. Ela inaugurou um campo de disputas simbólicas, políticas e econômicas em torno do que significa “inovação” no espaço urbano.

No meu mais recente artigo, analiso esse processo a partir da Análise do Discurso Foucaultiana, buscando compreender como diferentes atores sociais construíram sentidos sobre a presença da plataforma na cidade. A pesquisa foi baseada em entrevistas e documentos, permitindo mapear três posições discursivas principais: os chamados “uberistas”, os taxistas e o poder público.


De um lado, os uberistas mobilizam um discurso favorável à inovação, destacando aspectos como modernização, praticidade e novas oportunidades de renda. A Uber aparece, nesse contexto, como símbolo de progresso e transformação tecnológica.


Por outro lado, os taxistas constroem uma posição crítica, centrada na ideia de concorrência desleal, precarização do trabalho e ausência de regulação adequada. Aqui, a inovação é percebida como ameaça — não apenas econômica, mas também institucional.


Entre essas duas posições, o poder público ocupa um lugar de mediação. Seu discurso tende a negociar interesses, buscando equilibrar inovação e regulação, ao mesmo tempo em que responde às pressões sociais e políticas dos diferentes grupos envolvidos.


O que esse cenário revela é que a inovação não é um processo neutro ou consensual. Pelo contrário, ela é atravessada por relações de poder, disputas de legitimidade e conflitos de interesse. Ao olhar para o caso da Uber no Recife, torna-se evidente que tecnologias não entram simplesmente nos territórios — elas são apropriadas, contestadas e resignificadas por atores diversos.


Mais do que discutir mobilidade urbana, este estudo convida à reflexão sobre como construímos coletivamente o significado da inovação e quais vozes são legitimadas nesse processo.


Leia o artigo completo: https://periodicos.ufba.br/index.php/rigs/article/view/45042


Por Anderson Diego