sexta-feira, 31 de julho de 2026

O que o metrô de Montréal nos ensina sobre poder, cidade e mobilidade?

Quando pensamos em um projeto de metrô, é comum imaginar questões como engenharia, custos, trajetos e prazos de execução. No entanto, grandes projetos de infraestrutura urbana envolvem muito mais do que decisões técnicas. Eles também refletem disputas de ideias, interesses políticos, visões de cidade e diferentes formas de compreender o espaço urbano.

Foi justamente essa perspectiva que motivou nossa mais recente publicação na Revue Communiquer, uma revista científica internacional dedicada aos estudos da comunicação. O artigo analisa os discursos produzidos em torno da proposta da Linha Rosa do metrô de Montréal, um dos projetos de mobilidade urbana mais debatidos na última década no Canadá.

A pesquisa parte de uma questão fundamental: como se constroem os discursos que legitimam ou contestam um grande projeto urbano?

Para responder a essa pergunta, utilizamos a análise foucaultiana do discurso e examinamos documentos oficiais, reportagens e publicações em redes sociais produzidos entre 2011 e 2022. O objetivo não foi discutir se a Linha Rosa deveria ou não ser construída, mas compreender como diferentes atores políticos, institucionais e sociais produziram narrativas capazes de influenciar o debate público.

Os resultados mostram que o projeto deu origem a três posições discursivas principais: uma favorável à implementação da linha, outra crítica à proposta e uma terceira que buscava negociar interesses e alternativas. Essas posições revelam que a mobilidade urbana não é apenas uma questão de transporte, mas também de poder, governança e construção de consensos.

Esse debate é particularmente relevante em um contexto em que as grandes cidades enfrentam desafios relacionados ao crescimento urbano, às mudanças climáticas, à inclusão social e à necessidade de tornar os sistemas de transporte mais eficientes e sustentáveis. Compreender como os discursos moldam as políticas públicas torna-se essencial para entender por que determinados projetos avançam, são modificados ou deixam de existir.

Mais do que um estudo sobre Montréal, esta pesquisa oferece elementos para refletirmos sobre os desafios enfrentados por metrópoles em diferentes partes do mundo. Afinal, toda cidade é resultado não apenas de obras e investimentos, mas também das ideias, disputas e narrativas que orientam suas transformações.

Leia o artigo completo (acesso aberto):
https://journals.openedition.org/communiquer/13641

Se você se interessa por cidades, inovação, políticas públicas, comunicação e governança urbana, acompanhe também o A História na Parede, onde compartilhamos pesquisas, análises e reflexões sobre os desafios que moldam as cidades contemporâneas.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Pesquisador sem Fronteiras: conhecimento, pesquisa e caminhos para transformar ideias em projetos

Fazer pesquisa é muito mais do que escrever um texto acadêmico. É aprender a formular perguntas, construir argumentos, organizar ideias, dialogar com autores, analisar informações e, principalmente, transformar uma inquietação em conhecimento capaz de circular e produzir novos debates.

Foi a partir dessa perspectiva que nasceu o Pesquisador sem Fronteiras, uma iniciativa dedicada a aproximar pesquisadores, estudantes e pessoas interessadas no universo acadêmico, oferecendo conteúdos, orientações e ferramentas para diferentes etapas da trajetória científica.

Da ideia à publicação

Muitos estudantes possuem boas ideias de pesquisa, mas encontram dificuldades para transformar essas ideias em um projeto estruturado. Outros já desenvolveram seus estudos, mas não sabem como organizar um artigo, escolher um periódico ou preparar um trabalho para submissão.

O Pesquisador sem Fronteiras busca justamente contribuir nesse percurso: da primeira ideia à organização da pesquisa e, posteriormente, à divulgação dos resultados.

Entre os conteúdos e serviços oferecidos estão orientações relacionadas à elaboração de artigos científicos, organização de projetos de pesquisa, preparação para processos de mestrado e doutorado, estruturação de trabalhos acadêmicos e estratégias para publicação científica.

A proposta não é oferecer fórmulas prontas, mas compartilhar conhecimento, experiências e caminhos que possam ajudar cada pesquisador a construir sua própria trajetória.

Conhecimento também precisa circular

A ciência ganha força quando o conhecimento circula. Um artigo publicado, um livro, uma apresentação em congresso ou uma conversa sobre pesquisa podem alcançar pessoas diferentes e gerar novas perguntas.

É também essa ideia que orienta A História na Parede, projeto de divulgação que procura transformar temas relacionados à pesquisa, inovação, empreendedorismo, cultura e produção de conhecimento em conteúdos acessíveis e interessantes para diferentes públicos.

A pesquisa pode estar na universidade, mas suas perguntas e seus impactos ultrapassam os muros acadêmicos.

Livros para quem quer pesquisar e publicar

Dentro dessa proposta, também estão disponíveis livros voltados à formação acadêmica e à compreensão dos processos de inovação.

Entre eles está Como Criar um Artigo Científico – Do Zero à Publicação, uma obra pensada para quem deseja compreender melhor as etapas envolvidas na elaboração e publicação de um artigo científico.

Outra publicação é Regulação Cultural em Territórios de Inovação: Lições do Porto Digital, resultado de uma trajetória de pesquisa dedicada às relações entre cultura, inovação, economia criativa e territórios de inovação. A obra também possui uma edição bilíngue em português e inglês, ampliando suas possibilidades de circulação entre leitores brasileiros e internacionais.

Os livros fazem parte de uma proposta maior: contribuir para que o conhecimento produzido pela pesquisa possa ser compartilhado, discutido e utilizado por outros estudantes, pesquisadores e profissionais.

Pesquisador sem Fronteiras

O nome Pesquisador sem Fronteiras traduz uma ideia simples: a pesquisa não precisa estar limitada por fronteiras geográficas, institucionais ou disciplinares.

Pesquisar é atravessar áreas do conhecimento, dialogar com diferentes perspectivas, conhecer outras experiências e construir novas possibilidades.

Para quem está começando uma pesquisa, pensando em ingressar no mestrado ou doutorado, preparando um artigo ou buscando compreender melhor o processo de publicação científica, o projeto oferece conteúdos e serviços voltados a diferentes momentos dessa trajetória.

Conheça, acompanhe e participe

Pesquisador sem Fronteiras está presente nas redes sociais compartilhando dicas, reflexões e conteúdos sobre pesquisa e vida acadêmica.

Se você deseja transformar uma ideia em projeto, organizar melhor sua pesquisa, preparar um artigo ou conhecer materiais que podem auxiliar sua trajetória acadêmica, acompanhe o perfil e conheça os produtos disponíveis.

Pesquisar é fazer perguntas. Publicar é compartilhar respostas. E aprender é continuar perguntando.

Pesquisador sem Fronteiras — conhecimento sem fronteiras.

Acesse: @pesquisadorsemfronteiras 

Entrevista completa para o programa CBN Total da Radio CBN


 

CBN Caruaru: Pesquisador pernambucano lança livro sobre impactos do Porto Digital no estado

 A obra conta com a participação de docentes da Université de Montréal, no Canadá. 

Por: Redação CBN

O pesquisador pernambucano Anderson Diego Farias lançou o livro “Regulação cultural em territórios de inovação: lições do Porto Digital”. A obra propõe um olhar crítico e aprofundado sobre como a cultura, a economia criativa e o urbanismo se conectam na capital de Pernambuco.

A publicação examina de que forma os conceitos de inovação e criatividade transformam o planejamento das cidades. O estudo analisa os impactos diretos na criação de políticas culturais, nos modelos de governança e nas dinâmicas sociais, além de aprofundar soluções para os conflitos simbólicos e os desafios de desenvolvimento que surgem com grandes projetos voltados à economia criativa.

O livro conta com prefácio assinado por docentes da Université de Montréal, no Canadá, e traz o aval de Cláudio Marinho, ex-secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco e um dos fundadores do Porto Digital. Doutorando na instituição canadense, Anderson Diego investiga reconfigurações urbanas em distritos culturais pelo mundo, traçando paralelos entre a experiência do Recife e a do Quartier des Spectacles, em Montréal.

Fonte: https://cbncaruaru.com/2026/07/24/pesquisador-pernambucano-lanca-livro-sobre-impactos-do-porto-digital-no-estado/.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

🎓 Como ingressar em uma pós-graduação stricto sensu no Canadá?

 🎓 Como ingressar em uma pós-graduação stricto sensu no Canadá?

O processo de admissão para programas de mestrado e doutorado nas universidades canadenses exige planejamento, organização e atenção aos requisitos específicos de cada instituição. Embora existam particularidades entre universidades e programas, o percurso geralmente segue as etapas abaixo:

📚 Etapa 1: Exploração e escolha do programa

O primeiro passo é identificar sua área de interesse e pesquisar os programas disponíveis. Universidades canadenses oferecem centenas de opções em diferentes campos do conhecimento, como ciências humanas, ciências sociais, engenharia, saúde, administração, educação e tecnologia.

Além de analisar a estrutura curricular, é importante verificar se o programa possui linhas de pesquisa alinhadas aos seus interesses acadêmicos e profissionais.

📝 Etapa 2: Preparação do dossiê de candidatura

Após definir o programa, é hora de reunir a documentação exigida. Os requisitos variam conforme a universidade e o nível de estudos, mas geralmente incluem:

• Histórico acadêmico;
• Diploma ou comprovante de conclusão;
• Currículo;
• Carta de motivação;
• Cartas de recomendação;
• Projeto de pesquisa (principalmente para programas de pesquisa e doutorado);
• Comprovante de proficiência linguística, quando exigido.

Também é importante verificar se alguns documentos precisarão de tradução oficial.

💻 Etapa 3: Submissão da candidatura

A candidatura normalmente é realizada por meio de uma plataforma eletrônica da universidade. Nessa etapa, o candidato preenche informações pessoais, acadêmicas e profissionais, realiza o pagamento da taxa de inscrição e envia os documentos solicitados.

📂 Etapa 4: Acompanhamento da candidatura

Após a submissão, a universidade disponibiliza um portal do estudante para acompanhamento do processo. Eventualmente, poderão ser solicitados documentos complementares, esclarecimentos ou atualizações do dossiê.

Em alguns programas, especialmente no doutorado, pode haver contato prévio com potenciais orientadores ou entrevistas de seleção.

🌎 Dica importante

Cada universidade possui regras próprias de admissão, calendários e critérios de seleção. Por isso, é fundamental consultar diretamente os sites oficiais das instituições e dos programas de interesse para obter informações atualizadas.

Planejamento antecipado e um dossiê bem estruturado podem fazer toda a diferença para uma candidatura bem-sucedida.

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domingo, 7 de junho de 2026

Cinco dicas para publicar seu primeiro artigo científico com sucesso


 Novo material auxilia pesquisadores iniciantes a transformar suas ideias em publicações acadêmicas de qualidade

Publicar um artigo científico pela primeira vez é um desafio que gera dúvidas e inseguranças em muitos estudantes e pesquisadores. Desde a escolha do tema até a submissão para uma revista científica, o processo exige planejamento, método e conhecimento das exigências do meio acadêmico.

Pensando em auxiliar aqueles que desejam ingressar no universo da publicação científica, o professor e pesquisador Anderson Diego Farias da Silva lançou materiais voltados para a formação de novos autores, reunindo orientações práticas para quem pretende publicar seus trabalhos com mais segurança e eficiência.

Entre as principais recomendações destacadas pelo autor estão cinco etapas fundamentais para aumentar as chances de sucesso na publicação de um artigo científico.

1. Escolha um tema relevante

O primeiro passo é selecionar um tema que possua relevância científica e social. Um bom artigo busca responder a uma questão pertinente e contribuir para o avanço do conhecimento em sua área de estudo.

2. Realize uma revisão da literatura consistente

Antes de iniciar a escrita, é essencial conhecer o que já foi produzido sobre o tema. A revisão bibliográfica ajuda a identificar lacunas de pesquisa, fundamentar argumentos e evitar duplicações.

3. Estruture o artigo corretamente

Um artigo científico deve apresentar uma organização clara, normalmente composta por introdução, referencial teórico, metodologia, resultados e considerações finais. Uma estrutura bem definida facilita a compreensão e a avaliação do trabalho.

4. Revise o texto cuidadosamente

Erros gramaticais, inconsistências metodológicas e problemas de formatação podem comprometer a qualidade da submissão. A revisão criteriosa é uma etapa indispensável para garantir maior profissionalismo ao manuscrito.

5. Escolha a revista adequada

Nem toda revista é compatível com todos os temas. Avaliar o escopo, as normas editoriais e o público-alvo da publicação aumenta significativamente as possibilidades de aprovação.

Recursos para quem deseja publicar

Além das dicas apresentadas, Anderson Diego disponibiliza o livro “Como Criar um Artigo Científico: Do Zero à Publicação”, obra que aborda de forma prática todas as etapas da construção de um artigo acadêmico, desde a definição do problema de pesquisa até a submissão para periódicos científicos.

O autor também oferece um curso online voltado para estudantes, pesquisadores e profissionais que desejam desenvolver competências em redação científica e publicação acadêmica.

A iniciativa busca democratizar o acesso ao conhecimento sobre produção científica, contribuindo para a formação de novos pesquisadores e para o fortalecimento da divulgação do conhecimento produzido nas universidades e centros de pesquisa.

Serviço

Livro: Como Criar um Artigo Científico: Do Zero à Publicação
Autor: Anderson Diego Farias da Silva

Disponível em: https://a.co/d/02out47W

Curso Online: Como Criar um Artigo Científico: Do Zero à Publicação

Disponível em: https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/como-criar-um-artigo-cientifico-do-zero-a-publicacao/R102751800M

Para mais informações sobre os materiais e conteúdos relacionados à escrita científica, acompanhe as publicações do blog A História na Parede.

A História na Parede segue valorizando iniciativas que promovem a educação, a pesquisa e a disseminação do conhecimento científico para diferentes públicos.


terça-feira, 2 de junho de 2026

Jornal Digital: Livro analisa o Porto Digital pela ótica da regulação cultural

Por Emannuel Bento, via Jornal Digital do Porto Digital

“Regulação Cultural em Territórios de Inovação: Lições do Porto Digital”, do pesquisador Anderson Diego Farias da Silva, foi publicado pela editora Diálogo Freiriano

A trajetória de desenvolvimento do Porto Digital como um ecossistema que abarca tecnologia, inovação e economia criativa é o tema central do livro “Regulação Cultural em Territórios de Inovação: Lições do Porto Digital“, do pesquisador Anderson Diego Farias da Silva, egresso do Programa de Pós-Graduação em Administração (PROPAD) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

Publicado pela editora Diálogo Freiriano, o livro examina as transformações que contribuíram para consolidar o Recife como uma referência internacional em inovação, destacando o papel das políticas culturais e dos modelos de governança nesse processo. A publicação está disponível em versão impressa e versão ebook.

A partir do conceito de “Circuito da Cultura”, o autor investiga a formação do Portomídia como espaço de encontro entre arte, tecnologia e empreendedorismo.

Com uma abordagem interdisciplinar, a publicação articula estudos organizacionais e culturais para compreender os significados, desafios e tensões presentes nos processos de inovação.

O conteúdo também discute a atuação da chamada hélice tríplice — formada por governo, academia e empresas —, além da influência dos incentivos fiscais no desenvolvimento regional.

A obra conta ainda com prefácios dos professores Patrick Cohendet, da HEC Montréal, e Will Straw, da McGill University.

Doutorando em Ciências Humanas Aplicadas pela Universidade de Montréal e mestre pela UFPE, Anderson Diego tem trajetória ligada à gestão pública e à pesquisa acadêmica. Seus estudos concentram-se nas interações entre os diferentes atores dos sistemas de inovação e no fortalecimento da produção científica.

CBN Recife: Livro analisa cultura, inovação e transformações urbanas a partir da experiência do Porto Digital

Obra de Anderson Diego investiga a regulação cultural, as políticas públicas e as transformações sociais em territórios de inovação no Recife

Redacao CBN Recife

O pesquisador pernambucano Anderson Diego Farias da Silva lançou o livro “Regulação cultural em territórios de inovação: lições do Porto Digital”, uma publicação que propõe um olhar crítico sobre as conexões entre cultura, economia criativa e urbanismo na capital pernambucana. A obra examina detalhadamente como os conceitos de inovação e criatividade modificam o planejamento das cidades, influenciando diretamente a criação de políticas culturais, os formatos de governança e as relações sociais cotidianas. Além disso, o autor promove reflexões fundamentais sobre o desenvolvimento territorial e os conflitos simbólicos que emergem em projetos urbanos desenhados para acolher a economia criativa.

A publicação ganha ainda mais relevância com o prefácio escrito por professores canadenses da Université de Montréal e com o aval de Cláudio Marinho, ex-secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco e um dos nomes por trás da criação do Porto Digital. 

O autor, que hoje realiza seu doutorado na mesma instituição canadense, estuda as reconfigurações urbanas e os imaginários tecnológicos em distritos culturais ao redor do mundo, traçando paralelos e diálogos ricos entre a experiência do Recife e a do Quartier des Spectacles, em Montréal. Diante desse panorama, o livro surge como uma leitura indispensável para acadêmicos, estudantes, gestores culturais e profissionais que se dedicam a entender as dinâmicas das cidades criativas contemporâneas.

Por CBN Recife

Lançamento on-line apresenta livro sobre cultura, inovação e transformações urbanas a partir da experiência do Porto Digital

 No próximo dia 16 de junho, às 12h, será realizado o lançamento on-line do livro Regulação cultural em territórios de inovação: lições do Porto Digital, de autoria do pesquisador Anderson Diego Farias da Silva, publicado pela Editora Diálogo Freiriano.

A obra propõe uma reflexão crítica sobre as relações entre cultura, inovação e desenvolvimento urbano, tomando como objeto de estudo o Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos e ambientes de inovação do Brasil, localizado na cidade do Recife (PE).

Resultado de uma trajetória de pesquisa dedicada aos temas da economia criativa, das políticas culturais e dos territórios de inovação, o livro analisa como os discursos da criatividade, do empreendedorismo e da inovação passaram a ocupar posição central nas estratégias de desenvolvimento urbano contemporâneo. A partir de uma abordagem crítica, o autor investiga os mecanismos de regulação cultural que moldam as dinâmicas sociais, econômicas e simbólicas desses espaços.

Um olhar crítico sobre os territórios de inovação

A publicação dialoga com importantes autores das áreas de estudos urbanos, cultura e inovação, contribuindo para o debate sobre os impactos das políticas de revitalização urbana e dos modelos de desenvolvimento baseados na economia criativa.

Ao examinar a experiência do Porto Digital, o livro evidencia como a cultura pode desempenhar um papel estratégico na construção de narrativas de inovação, ao mesmo tempo em que suscita questionamentos sobre inclusão social, diversidade cultural, governança e disputas de sentido nos processos de transformação urbana.

Segundo o autor, compreender essas dinâmicas é fundamental para avaliar os desafios enfrentados por cidades que apostam na inovação como vetor de desenvolvimento econômico e territorial.

Obra bilíngue com alcance internacional

Publicada em formato bilíngue (português e inglês), a obra busca ampliar o diálogo entre pesquisadores, gestores públicos, profissionais da cultura e atores envolvidos em ecossistemas de inovação, tanto no Brasil quanto no exterior.

O livro está disponível em formato físico e digital (e-book), permitindo acesso a leitores interessados nos campos da administração, estudos urbanos, políticas culturais, inovação, economia criativa e desenvolvimento territorial.

Convite para o lançamento

O evento de lançamento será realizado de forma on-line no dia 16 de junho, às 12h, e contará com a apresentação da obra, comentários sobre os principais resultados da pesquisa e espaço para interação com o público.

Data: 16 de junho
Horário: 12h
Formato: On-line

Transmissão:

https://youtu.be/KnNMgGyPFKQ?si=p3ApTmn7gPW2lo13

A participação é aberta ao público. Pesquisadores, estudantes, profissionais da gestão cultural, da inovação e interessados nas transformações urbanas estão convidados a prestigiar o lançamento e conhecer as contribuições da obra para o debate contemporâneo sobre cultura e desenvolvimento.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Novo artigo internacional analisa inovação, poder e disputas urbanas em Montreal

O pesquisador Anderson Diego (o editor deste blog) acaba de publicar um novo artigo internacional que propõe uma leitura crítica sobre os discursos de inovação nas cidades contemporâneas. O estudo, intitulado “Innovation as a Floating Signifier in Urban Governance: Discursive Struggles in Montreal’s Quartier des Spectacles”, foi publicado na revista científica Australian Academy of Business Research, volume 4, edição 1 de 2026.

📄 O artigo está disponível em:

Inovação além da tecnologia

O artigo parte de uma provocação central:

👉 E se “inovação” não for um conceito neutro?

Ao invés de tratar inovação apenas como avanço tecnológico ou crescimento econômico, o estudo propõe compreender o termo como um “significante flutuante”, conceito inspirado na teoria do discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe.

Segundo o autor, inovação funciona como uma ideia aberta, capaz de reunir diferentes interesses políticos, econômicos e culturais sob uma narrativa aparentemente consensual.

No contexto urbano, isso significa que conceitos como:

  • criatividade,
  • revitalização,
  • inclusão,
  • tecnologia,
  • competitividade,
  • cultura,
  • sustentabilidade,

passam a ser articulados em torno do discurso da inovação.

O caso do Quartier des Spectacles em Montreal

A pesquisa analisa o Quartier des Spectacles, principal distrito cultural de Montreal e um dos maiores projetos de revitalização cultural da América do Norte.

O bairro tornou-se símbolo da estratégia de “cidade criativa” adotada por Montreal nas últimas décadas, reunindo:

  • festivais internacionais,
  • espaços culturais,
  • intervenções urbanas,
  • iluminação pública interativa,
  • equipamentos artísticos,
  • e políticas de inovação cultural.

De acordo com o artigo, o Quartier des Spectacles não é apenas um espaço físico, mas também um projeto simbólico que ajuda a construir a imagem de Montreal como cidade inovadora, criativa e global.

Discurso, poder e governança urbana

O estudo utiliza uma abordagem pós-estruturalista baseada na teoria do discurso para analisar documentos oficiais, planos estratégicos e políticas públicas relacionadas ao distrito cultural.

A pesquisa mostra que o discurso da inovação:

  • legitima políticas urbanas,
  • organiza prioridades econômicas,
  • redefine práticas culturais,
  • e influencia formas de participação urbana.

Ao mesmo tempo, o artigo destaca que essas narrativas também produzem exclusões.

Entre as tensões identificadas estão:

  • gentrificação cultural,
  • valorização imobiliária,
  • mercantilização da cultura,
  • exclusão de práticas culturais não alinhadas ao mercado,
  • e formas seletivas de participação urbana.

As três lógicas da inovação

Inspirado em Jason Glynos e David Howarth, o estudo mobiliza três dimensões analíticas:

🔹 Lógicas sociais

Explicam como a inovação se torna algo naturalizado e tratado como “senso comum” nas políticas urbanas.

🔹 Lógicas políticas

Mostram os conflitos e disputas em torno de quem pode participar da cidade criativa.

🔹 Lógicas fantasmáticas

Analisam como a inovação cria promessas afetivas de futuro, pertencimento e progresso urbano.

Segundo o autor, essas dimensões ajudam a compreender por que o discurso da inovação permanece tão forte mesmo diante de desigualdades e críticas sociais.

Imaginação urbana e futuro das cidades

O artigo também dialoga com autores como Cornelius CastoriadisArjun Appadurai e Michel Foucault para discutir como as cidades produzem “imaginários urbanos”.

Nesse contexto, inovação deixa de ser apenas política pública e passa a funcionar como:

  • narrativa de futuro,
  • tecnologia de governança,
  • mecanismo de regulação cultural,
  • e instrumento de produção simbólica das cidades contemporâneas.

Contribuições da pesquisa

O estudo contribui para debates internacionais sobre:

  • cidades criativas,
  • governança urbana,
  • economia criativa,
  • políticas culturais,
  • participação cidadã,
  • e análise crítica da inovação.

Além disso, a pesquisa reforça a importância de abordagens críticas sobre os modelos de desenvolvimento urbano contemporâneo, especialmente em projetos baseados em criatividade e inovação.

Sobre o autor

Anderson Diego desenvolve pesquisas nas áreas de:

  • inovação,
  • cultura,
  • análise do discurso,
  • governança urbana,
  • economia criativa,
  • e transformações urbanas.

Seu trabalho de doutorado na Université de Montréal investiga os conflitos discursivos e os imaginários urbanos associados à inovação no contexto do Quartier des Spectacles.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Participação no 93º Congresso da Acfas com pesquisa sobre inovação e transformações urbanas em Montréal (Canada)

De 11 à 15 de maio de 2026 ocorrera o 93e Congrès de l'Acfas e eu terei a oportunidade de apresentar a comunicação intitulada Discours d’innovation et transformations urbaines : enjeux et tensions dans le Quartier des spectacles à Montréal. O trabalho integra pesquisas desenvolvidas no âmbito do doutorado em Sciences humaines apliquées pela Université de Montréal e propõe uma análise crítica dos discursos de inovação presentes nas transformações urbanas contemporâneas.

A pesquisa investiga como o conceito de “inovação” é mobilizado por diferentes atores institucionais, culturais e econômicos na construção das políticas urbanas em Montréal, especialmente no contexto do Quartier des spectacles — um dos principais símbolos das estratégias de cidade criativa no Canadá.

Inspirado pela teoria do discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, bem como pelas contribuições analíticas de Jason Glynos e David Howarth, o estudo busca compreender como diferentes narrativas disputam sentidos sobre desenvolvimento urbano, cultura, criatividade e inovação.

A metodologia combina entrevistas semiestruturadas com atores públicos, culturais e empresariais, análise documental de projetos urbanos e observação etnográfica em eventos e instalações culturais realizados no Quartier des spectacles. Os resultados preliminares apontam que o termo “inovação” atua como um “significante flutuante”, produzindo conflitos simbólicos e materiais que impactam diretamente as dinâmicas urbanas e culturais da cidade.

A apresentação no congresso reforça a relevância internacional do debate sobre cidades criativas, governança cultural e reconfigurações urbanas, além de destacar a contribuição das abordagens discursivas para a compreensão crítica das transformações contemporâneas das metrópoles.

A participação no congresso também amplia o diálogo acadêmico entre pesquisadores interessados em políticas urbanas, cultura, inovação e espaço público, fortalecendo redes de pesquisa no Canadá e internacionalmente.

📍 Mais informações sobre a comunicação científica: 93e Congrès de l'Acfas – Communication scientifique

🎥 Vídeo relacionado à participação:

Assista ao vídeo no Vimeo: 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Lançamento do livro Regulação Cultural em Territórios de Inovação: Lições do Porto Digital

No Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, tenho a alegria de anunciar o lançamento do meu novo livro intitulado Regulação Cultural em Territórios de Inovação: Lições do Porto Digital, agora disponível em versão bilíngue português–inglês.

Este lançamento representa a materialização de uma trajetória acadêmica e profissional dedicada à compreensão das relações entre cultura, inovação e desenvolvimento territorial. A obra nasce a partir das reflexões desenvolvidas durante minha pesquisa de mestrado, realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Pernambuco (Propad-UFPE), e busca ampliar o debate sobre os processos culturais que moldam territórios inovadores.

🌍 Cultura, inovação e territórios criativos

Vivemos um momento histórico em que a inovação deixou de ser apenas um fenômeno tecnológico para se tornar também um processo cultural e institucional. Nesse contexto, compreender o papel da cultura na construção de ecossistemas inovadores torna-se essencial para pesquisadores, gestores e formuladores de políticas públicas.

O livro apresenta uma análise aprofundada do Porto Digital, reconhecido como um dos mais relevantes polos de tecnologia e economia criativa do Brasil. A partir desse estudo de caso, a obra discute como dinâmicas culturais, simbólicas e institucionais influenciam a consolidação de territórios voltados à inovação.

Ao longo do livro, são abordados temas como:

  • Cultura como elemento estruturante da inovação
  • Regulação cultural e governança territorial
  • Economia criativa e desenvolvimento regional
  • Dinâmicas institucionais em territórios de inovação
  • O papel das organizações e dos atores sociais na construção de ecossistemas criativos

Mais do que um estudo de caso, o livro propõe reflexões que dialogam com desafios contemporâneos enfrentados por cidades e organizações que buscam integrar cultura e inovação em seus processos de desenvolvimento.

🎓 Prefácio internacional e diálogo acadêmico

Um dos grandes destaques desta obra é a honra de contar com o prefácio de dois reconhecidos pesquisadores internacionais:

  • Professor Will Straw (McGill University)
  • Professor Patrick Cohendet (HEC Montréal)

Suas contribuições fortalecem o diálogo internacional sobre inovação, cultura e desenvolvimento territorial, ampliando o alcance acadêmico e institucional do livro.

🤝 Uma obra construída coletivamente

Este livro não é apenas resultado de uma pesquisa acadêmica, mas também fruto de múltiplas colaborações e apoios institucionais e pessoais.

Registro aqui minha profunda gratidão:

A Deus, pelo dom concedido e pela oportunidade de trilhar este caminho.

À minha esposa Alinny e aos meus filhos, pelo amor, incentivo e apoio constantes ao longo desta jornada.

Aos atores sociais implicados no Porto Digital, que gentilmente abriram espaço para a realização desta pesquisa e contribuíram com suas experiências e visões.

Ao Propad-UFPE, instituição fundamental para a realização do estudo que inspirou esta obra.

A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para que este projeto se tornasse realidade.

📚 Onde adquirir o livro

O livro Regulação Cultural em Territórios de Inovação: Lições do Porto Digital já está disponível para aquisição nas seguintes plataformas:

📖 Um Livro
https://loja.umlivro.com.br/regulacao-cultural-em-territorios-de-inovacao--licoes-do-porto-digital-8430400/p

📖 Feira do Livro
https://feiradolivro.com.br/livro/1160/regulacao-cultural-em-territorios-de-inovacao?termo=anderson%20diego

📖 Amazon
https://a.co/d/076KiD7U

🎤 Próximos passos: eventos de lançamento

Em breve, serão realizados eventos presenciais e remotos dedicados à apresentação da obra e à discussão dos principais conceitos que estruturam o livro.

Esses encontros serão oportunidades valiosas para:

  • Compartilhar reflexões sobre inovação e cultura
  • Dialogar com pesquisadores e profissionais
  • Promover debates sobre desenvolvimento territorial
  • Fortalecer redes acadêmicas e institucionais

Mais informações sobre datas e locais serão divulgadas em breve.

🌟 Um convite à leitura e ao diálogo

Este livro é um convite à reflexão sobre o papel estratégico da cultura na construção de territórios inovadores. Ao analisar experiências concretas e dialogar com diferentes campos do conhecimento, a obra busca contribuir para o fortalecimento de práticas inovadoras mais sensíveis às dimensões culturais e sociais do desenvolvimento.

Que esta publicação possa inspirar novos estudos, estimular debates e contribuir para a construção de territórios mais criativos, colaborativos e sustentáveis.

📚 Boa leitura!

sábado, 4 de abril de 2026

Uber no Recife: inovação, conflito e disputa de sentidos

chegada da Uber à cidade do Recife, em março de 2016, marcou mais do que a introdução de uma nova tecnologia de mobilidade urbana. Ela inaugurou um campo de disputas simbólicas, políticas e econômicas em torno do que significa “inovação” no espaço urbano.

No meu mais recente artigo, analiso esse processo a partir da Análise do Discurso Foucaultiana, buscando compreender como diferentes atores sociais construíram sentidos sobre a presença da plataforma na cidade. A pesquisa foi baseada em entrevistas e documentos, permitindo mapear três posições discursivas principais: os chamados “uberistas”, os taxistas e o poder público.


De um lado, os uberistas mobilizam um discurso favorável à inovação, destacando aspectos como modernização, praticidade e novas oportunidades de renda. A Uber aparece, nesse contexto, como símbolo de progresso e transformação tecnológica.


Por outro lado, os taxistas constroem uma posição crítica, centrada na ideia de concorrência desleal, precarização do trabalho e ausência de regulação adequada. Aqui, a inovação é percebida como ameaça — não apenas econômica, mas também institucional.


Entre essas duas posições, o poder público ocupa um lugar de mediação. Seu discurso tende a negociar interesses, buscando equilibrar inovação e regulação, ao mesmo tempo em que responde às pressões sociais e políticas dos diferentes grupos envolvidos.


O que esse cenário revela é que a inovação não é um processo neutro ou consensual. Pelo contrário, ela é atravessada por relações de poder, disputas de legitimidade e conflitos de interesse. Ao olhar para o caso da Uber no Recife, torna-se evidente que tecnologias não entram simplesmente nos territórios — elas são apropriadas, contestadas e resignificadas por atores diversos.


Mais do que discutir mobilidade urbana, este estudo convida à reflexão sobre como construímos coletivamente o significado da inovação e quais vozes são legitimadas nesse processo.


Leia o artigo completo: https://periodicos.ufba.br/index.php/rigs/article/view/45042


Por Anderson Diego