quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Reflexão...
“A chuva é o melhor sinal de nós dois.
Ela vem fazendo-me relembrar que eu tenho o teu peito para me abrigar. Nada é tão frio quando você me afaga, tudo é calmo quando você me enlaça. Deitar na tua cama, que posso chamar de minha. Agarrar o teu corpo, que chamo de meu. Abrigados no nosso cobertor, ouvindo a chuva cair e compartilhando nossas juras de amor. Eu juro que não há melhor lugar, eu só quero a paz de te amar. Então me abraça forte, ou apenas segure a minha mão, me dê um pouco da tua força, nesse mundo onde a dor é quase obrigação”.
— Kimberly Chaviñon.
Ela vem fazendo-me relembrar que eu tenho o teu peito para me abrigar. Nada é tão frio quando você me afaga, tudo é calmo quando você me enlaça. Deitar na tua cama, que posso chamar de minha. Agarrar o teu corpo, que chamo de meu. Abrigados no nosso cobertor, ouvindo a chuva cair e compartilhando nossas juras de amor. Eu juro que não há melhor lugar, eu só quero a paz de te amar. Então me abraça forte, ou apenas segure a minha mão, me dê um pouco da tua força, nesse mundo onde a dor é quase obrigação”.
— Kimberly Chaviñon.
sábado, 12 de outubro de 2013
Boa tarde, Vinicius de Moraes!
"Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exactamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois."
Por Vinicius de Moraes
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exactamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois."
Por Vinicius de Moraes
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Boa terça-feira, Cecília Meireles!
"A primavera chegará,
mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega".
(Cecília Meireles)
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sábado, 21 de setembro de 2013
ANPG convoca o 39º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos
Contemplando o tema “A pós-graduação brasileira e os direitos dos pós-graduandos”, a Associação Nacional de Pós-Graduandos convoca o seu 39° Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP). O evento será realizado na cidade de Ouro Preto (MG) - Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) - entre os dias 25 e 27 de Outubro, e debaterá o papel dos pós-graduandos na pesquisa nacional, bem como discutirá sobre os seus direitos . Clique aqui para ver o folder do evento. Aprovaremos, também, mudanças no Estatuto da ANPG, e convocaremos o nosso 24° Congresso. Não deixe de participar! Qualquer dúvida, envie e-mail para 39conap@gmail.com
Entenda como participar do 39º CONAP:
Se seu programa, instituto ou Universidade não tem uma APG, CRIE UMA!
Montar sua APG é fácil!
- Organize uma reunião de Pós-Graduandos
- Dê a maior publicidade possível
- Discutam um estatuto para a Associação
- Escolham uma diretoria
- Façam uma ata de eleição e posse
Caso haja alguma dúvida, entre em contato com um dos nossos diretores pelo email comunicacaoanpg@gmail.com ou telefone: (11) 5082-369
FILIE SUA APG À ANPG
As Associações de Pós-Graduandos devem ser filiadas à ANPG. Para isso, siga esses passos:
1.Preencha o Formulário On-Line no site da ANPG
2.Envie cópias digitais para anpgbr@gmail.com:
-Estatuto
-Ata de Eleição/posse da Diretoria
-Comprovante de Depósito da taxa de filiação, no valor de R$ 200,00.
Número da conta da Associação Nacional de Pós-Graduandos 6698-2 Ag. 4328-1, Banco do Brasil
PARTICIPE DO 39 CONAP
A APG ou Comissão Pró-APG é quem inscreve os seus delegados, suplentes e observadores.
Envie para o email 39conap@gmail.com
-Ata Padrão, disponível no site da ANPG
-Comprovantes de Matrícula
-Comprovantes de Pagamento, no valor de R$ 75,00 (delegado/suplente) ou R$ 150,00 (observador).
Número da conta da Associação Nacional de Pós-Graduandos 6698-2 Ag. 4328-1, Banco do Brasil
Alterada no dia 16/09/13
Publicada originalmente no dia 01/08/13
Fonte: ANPG
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ANPG assina carta de protesto contra o leilão do petróleo no Campo de Libra
A ANPG uniu-se às entidades e movimentos sociais que elaboraram uma carta que critica a realização dos dos leilões do petróleo no Campo de Libra. O conteúde da carta explica que a exploração desses recursos renderia benefícios muito maiores à sociedade brasileira se fosse feita exclusivamente pela Petrobras.
Brasil, 18 de setembro de 2013
Brasil, 18 de setembro de 2013
Excelentíssima Senhora
Dilma Vana Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil
Palácio do Planalto- Brasília, DF.
Senhora Presidenta,
1. Nós, entidades representativas, centrais sindicais, associações, movimentos sociais, militantes partidários e cidadãos, imbuído da vontade de defender os interesses da soberania da nação brasileira e de nosso povo, sobre os nossos recursos naturais, em especial o petróleo, nos dirigimos a V. Exa., para pedir que SUSPENDA o leilão das reservas do PRÉ-SAL, previsto para o próximo dia 21 de outubro de 2013.
2. Louvamos a iniciativa do então Presidente Lula, que no momento da confirmação da existência das reservas do Pré-sal, retirou 41 blocos do nono leilão, que iria ocorrer naquela ocasião. Ao fazê-lo, sabemos, o presidente contrariou fortes interesses, pois as empresas petrolíferas transnacionais, já prevendo a existência de grandes reservas na região, tinham a intenção de fechar contratos de 30 anos de duração. Seriam atos jurídicos perfeitos, em condições benéficas para elas e prejudiciais para a sociedade brasileira. A decisão do presidente Lula preservou os interesses nacionais, naquele momento.
3. Posteriormente, foi elaborado um novo marco regulatório para o setor do petróleo, no qual Vossa Excelência jogou importante papel ainda como Ministra. Consideramos que o novo modelo é muito melhor sob a ótica do benefício social que o modelo das concessões adotado e praticado no governo FHC.
4. Estamos convencidos, por outro lado, que o caso do campo de Libra é particular e que o mesmo não pode ser leiloado mesmo através desse modelo de partilha adotado para as áreas do Pré-Sal. A área de exploração de Libra não é um bloco, no qual a empresa petrolífera irá procurar petróleo. Libra é um reservatório totalmente conhecido, delimitado e estimado em seu potencial de reservas em barris, faltando apenas cubar o petróleo existente com maior precisão. Como já foi dado a público, o campo de Libra possui, no mínimo, dez bilhões de barris, uma das maiores descobertas mundiais dos últimos 20 anos.
5. O desafio colocado diante de um volume tão grande de petróleo conhecido é o de como maximizar esse benefício para toda sociedade brasileira. Os legisladores que, junto com membros do Executivo federal, produziram a lei 12.351 de 2010, deram uma brilhante demonstração de lucidez ao redigirem o artigo 12 desta lei. Através deste artigo, a União pode entregar um campo, sem passar por licitação, diretamente para a Petrobras, a qual assinaria um contrato de partilha com a União, com o percentual do "óleo-lucro" a ser remetido para o Fundo Social obtido por definição do governo.
6.Pleiteamos que, no caso das reservas de Libra, o percentual seja bem alto, para beneficiar ao máximo a sociedade. Mas, lembramos isso só pode ser feito se a Petrobras for a empresa contratada pela União.
7. Não basta definir parâmetros no edital e no contrato para maximizar as remessas das empresas "ganhadoras" para o Tesouro e o Fundo Social. Não houve qualquer explicação da ANP, nem de argumentação nem no Edital, que justifique esse leilão do ponto de vista dos interesses do povo. Ao contrário, a Resolução n. 5 do CNPE que decide sobre o leilão de Libra é um libelo de prepotência e autoritarismo. Qual a razão para que nem o MME, o CNPE, a ANP ou a EPE, nenhum destes órgãos ter dado acesso ao público de documentos explicando a perspectiva de descobertas, quanto será destinado para o abastecimento brasileiro e quanto deverá ser exportado?
8. Essas dúvidas não foram esclarecidas em audiências públicas que competia à ANP proporcionar para que a sociedade se manifestasse. Assim, mesmo entre técnicos e especialistas, ninguém pode ter noção de qual a base de calculo para chegar-se a um preço mínimo previsto de arrecadação de R$ 15 bilhões e qual o percentual de óleo lucro a ser remetido para o Fundo Social. A ANP evitou receber opiniões mesmo dos setores sociais como sindicatos, associações e universidades, vinculados ao tema da energia e do petróleo. De nossa parte propomos que o Ministério das Minas e Energia organize uma consulta aos técnicos e entidades brasileiras que permita a confrontação de informações no tocante à legislação e ao destino do petróleo do Pré-sal.
9. Todos nós temos consciência da intenção das empresas transnacionais de apoderarem-se das reservas do Pré-sal. A entrega para essas empresas fere o principio da soberania popular e nacional sobre a nossa mais importante riqueza natural que é o petróleo.
10. Os recentes episódios de espionagem patrocinada pelo governo dos Estados Unidos da América no Brasil, que receberam uma posição altaneira e de exigência de explicações por parte de vosso governo, Presidente Dilma, se deram não apenas sobre a vossa pessoa e governo, mas inclusive, como é público e notório, sobre a Petrobras, com o claro interesse de posicionar as empresas estadunidenses em melhores condições para abocanhar as reservas do Pré -sal, numa clara afronta já soberania da nação e num total desrespeito às prerrogativas exclusivas do Estado e governo brasileiros neste terreno.
11. Presidente Dilma, a senhora mesmo afirmou sua disposição de “ouvir as vozes das ruas”. O povo brasileiro, que há 60 anos protagonizou a campanha “o petróleo é nosso”, que resultou na construção da Petrobras, não pediu e não aceita a entrega de nosso petróleo para as transnacionais que querem pilhar esse recurso vital para o desenvolvimento sócio-econômico em benefício da grande maioria do nosso povo.
Afirmamos, de nossa parte, que não descansaremos na luta em defesa do petróleo brasileiro e do Pré-sal nas mãos e em benefício de nosso povo. Se qualquer dúvida houver sobre a opinião popular, a senhora, com presidente da República Federativa do Brasil, tem o poder de convocar um plebiscito para que o povo decida quem deve explorar as riquezas do Pré-sal e qual deve ser o seu destino.
São essas as razões que nos levaram a redigir esta carta à Vossa Exa. reivindicando fortemente que a senhora SUSPENDA A REALIZAÇÃO DO LEILÃO DO PETRÓLEO DO CAMPO DE LIBRA, previsto para o próximo dia 21 de outubro.
Nossa proposta é que a exploração do campo de Libra seja entregue unicamente à PETROBRAS, como permite o artigo 12 da lei 12.351.
Estamos prontos e ficaríamos honrados de ser recebido em audiência pela Vossa pessoa, presidente Dilma Rousseff, para discutirmos diretamente as razões que nos levam a esse posicionamento, certos de que é uma solução conforme com os interesses da soberania nacional e do povo brasileiro.
Atenciosamente,
1) Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)
2) Assembléia Popular
3) Assembléia Popular Osasco
4) Assembléia Popular Paraíba
5) Associação Brasileira de ONGs (ABONG)
6) Central de Movimentos Populares (CMP)
7) Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
8) Central Única dos Trabalhadores (CUT)
9) Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB)
10) Confederação das Mulheres do Brasil (CMB)
11) Comissão Pastoral da Terra (CPT)
12) Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM)
13) Conselho Indigenista Missionário (CIMI )
14) Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB)
15) Consulta Popular
16) Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS)
17) Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS PR)
18) Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN)
19) Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo (FTIUESP)
20) Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE)
21) Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)
22) Federação Única dos Petroleiros (FUP)
23) Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES)
24) Frente de Lutas de Juiz de Fora
25) Grito dos Excluídos
26) Jubileu Sul
27) Juventude Revolução
28) Levante Popular da Juventude
29) Marcha Mundial das Mulheres
30) Movimento Camponês Popular (MCP)
31) Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE)
32) Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
33) Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
34) Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
35) Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC)
36) Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
37) Movimento Nacional pela Soberania Popular frente a Mineração(MAM)
38) Movimento Reforma Já
39) Pastoral da Juventude Rural (PJR)
40) Pastoral Da Moradia
41) Pastoral Do Migrante
42) Pastoral Fé e Política de Jundiaí
43) Pastoral Fé e Política de Salto SP
44) Pastoral Fé e Política de Várzea Paulista SP
45) Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política
46) Plataforma Operária e Camponesa para Energia
47) Rede Fale
48) Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP CE)
49) Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP SP)
50) Sindicatos dos Eletricitários de Minas Gerais (SINDIELETRO MG)
51) Sindicatos dos Eletricitários de Santa Catarina (SINERGIA SC)
52) Sindicatos dos Eletricitários do Distrito Federal (STIU/DF)
53) Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo (SINERGIA SP)
54) Sindicato dos Engenheiros (SENGE PR)
55) Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (SINDIBEL MG)
56) Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (SISMUC PR)
57) Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente ( SINTAEMA SP)
58) Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo(SINDIPETRO SP)
59- Sindicato dos petroleiros do Rio de janeiro-RJ
59) Sindicato Unificado dos Petroleiros da Bahia (SINDIPETRO BA)
60) Sindicato Unificado dos Petroleiros do Paraná (SINDIPETRO PR)
61) União de Negros pela Igualdade (UNEGRO)
62) União Nacional dos Estudantes (UNE)
63) Via Campesina Brasil
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Recife e a reinvenção do cinema político
Sucesso do filme O som ao redor lança luz sobre uma nova geração de cineastas pernambucanos
A matéria abaixo faz parte da edição 120 de Fórum. Assine por 1 ano e ganhe as cinco últimas edições aqui.
Por Júlio Delmanto
“Em seu primeiro longa, Mendonça, um ex-crítico de cinema, narra os ritmos da vida diária em um complexo de apartamentos afluente da cidade costeira brasileira de Recife. O que emerge é um retrato sutil de uma sociedade em vias de uma rápida transformação social, ainda assombrada pelas crueldades de seu passado feudal.” Essa seria apenas mais uma das inúmeras críticas bastante animadas com o filme O som ao redor, dirigido por Kleber Mendonça Filho, se não fosse por seu simbolismo. Afinal, vinha acompanhada de uma indicação entre os dez melhores filmes de 2012 feita pelo respeitado crítico estadunidense A.O. Scott nas páginas do The New York Times. Ao lado dos novos trabalhos de Quentin Tarantino, Michael Heneke e Steven Spielberg nessa lista, o filme era o único latino-americano citado.
Filmado em 2010, O som ao redor estreou no circuito comercial em 4 de janeiro de 2013, trazendo consigo uma enorme aceitação em festivais nacionais e internacionais. Desde sua primeira exibição, no Festival de Cinema de Roterdã, no qual já recebeu prêmio da crítica, obteve 14 prêmios, entre eles os principais da Mostra de Cinema de São Paulo e do Festival do Rio. No caminho inverso do habitual, estreou em 13 salas e viu esse número aumentar para até 18, cruzando a marca de 70 mil espectadores, fato notável para uma produção de R$ 1,8 milhão de orçamento e anos-luz distante da estrutura de um blockbuster sobre vampiros comoAmanhecer– parte 2, lançado em 1.228 cinemas pelo Brasil.
“O som ao redor é um dos melhores filmes brasileiros de sempre. É um dos melhores filmes feitos recentemente no mundo”, exaltou Caetano Veloso em sua coluna no jornal O Globo. “Com o novo cinema pernambucano, a luta de classes volta ao cinema brasileiro”, sentenciou o crítico e professor Jean-Claude Bernardet na revista Teorema, numa análise que transparece um dos efeitos do sucesso da obra de Kleber Mendonça Filho: lançar luz sobre o restante da produção cinematográfica de diretores pernambucanos que têm em comum não só o fato de serem praticamente novatos, mas também a disposição de utilizar as telas para refletir seriamente sobre o Brasil contemporâneo.
Formado em jornalismo e por muitos anos crítico de cinema em jornais e na internet, tendo inclusive realizado o documentário Crítico, discutindo exatamente este ofício, Kleber Mendonça tem 44 anos e produziu seu primeiro curta em 1997, chegando só 15 anos depois ao lançamento de seu primeiro longa ficcional. Cinéfilo declarado, o cineasta vê agora seu filme revelar para um maior público colegas pernambucanos seus, que já causam burburinho em festivais especializados há alguns anos, como Gabriel Mascaro, de 29 anos, e Marcelo Pedroso, de 33.
Para o crítico e estudioso do cinema pernambucano Heitor Augusto, filmes de grande potencial como Doméstica, de Mascaro, e Pacific, de Pedroso, deixam de chegar ao público que não é do “gueto” dos especialistas em cinema não por sua qualidade, “mas pelo sistema de distribuição esquizofrênico existente” hoje no País. Apesar de não haver um “movimento” propriamente dito, essa geração tem questões bastante próximas: “São filmes bem preocupados com o que é o cinema, não são filmes que se importam apenas com a mensagem, eles têm no horizonte uma vontade de ser algo a mais. Quase como o encontro de duas ideias marcantes no cinema brasileiro: enfrentar a realidade, como propunha o Cinema Novo, junto com a proposta de reconstruir o cinema, propor outras linguagens, uma certa ironia, como propunha o Cinema Marginal. Não que esses filmes fiquem citando Gláuber e Sganzerla, mas eu vejo nesse grupo de filmes uma vontade que me parece vir tanto daqui quanto dali”, analisa Heitor, ressaltando sua relutância em soar “herético”.
Documentos de uma época em que ainda era possível fazer alguma coisa
“Para mim, a questão não é a presença ou a ausência de política na obra de arte. O que me interessa muito é a potência política que emana a partir dela como experiência e processo”, afirmou Gabriel Mascaro em entrevista concedida à Fórum, de Paris, onde participa há alguns meses de uma residência artística em uma universidade francesa. Em seu mais recente filme, o documentário Doméstica, Mascaro entregou câmeras de vídeo para sete adolescentes, que filmaram o cotidiano de suas empregadas domésticas por uma semana antes de entregar o material bruto para o diretor, que a partir daí brinda o espectador com um poderoso e bem engendrado retrato das relações de poder, cordialidade e desigualdade vividas no cotidiano de famílias de classe média.
Segundo Mascaro, o que mais lhe interessou no filme “foi a capacidade de fabular sobre a negociação da imagem empreendida entre os jovens e as empregadas, cada um a seu modo”. “Se os jovens aproveitaram uma relação de poder dada para adentrar na intimidade da empregada, ou se as empregadas usaram esse artifício audiovisual na relação para se autoficcionalizar, o que me deixa feliz é a potência dessa imprecisão política e ética que emana no filme do início ao fim”, apontou.
Classe média que também é o alvo de Pacific, de Marcelo Pedroso, documentário que se utiliza apenas de registros feitos por passageiros de um cruzeiro – gravações realizadas antes que eles recebessem a proposta de cedê-la ao filme – para refletir sobre “um certo tipo de felicidade”, como resumiu Heitor Augusto. Entre aulas de ginástica nas piscinas e coquetéis de gala com o comandante do navio, cada imagem diz mais do que mil palavras não só sobre os desejos e ambições desses personagens que sonharam com o momento de passar o ano-novo em um navio, como também sobre a sociedade do espetáculo, sobre a consolidação da tecnologia e da imagem como mediadoras das relações sociais mais diversas, cotidianas e íntimas.
“Havia primeiramente uma inquietação sobre a classe média brasileira, uma vontade de problematizá-la – reconhecendo-me eu mesmo nela”, relatou Pedroso à Fórum. “Mas as questões em torno da imagem, da subjetividade presente nelas, da relação com o consumo e do próprio padrão de felicidade buscado pelas pessoas se tornaram muito importantes – em igual proporção ao reconhecimento do afeto, de uma dimensão singela das relações interpessoais, da própria fragilidade humana presente no desejo bulímico de tudo registrar”, continuou.
Além de retratar as classes médias e superiores e sua mediocridade intelectual e ética, como explicita também o polêmico Um lugar ao sol, no qual Mascaro entrevistou moradores de cobertura nem sempre sendo sincero com eles, O som ao redor condensa outros elementos em comum com essa geração de realizadores, como a reflexão sobre a cultura do medo e o consumismo, o olhar sobre a desigualdade social com base no contexto urbanístico, a crítica à especulação imobiliária e ao racismo, a busca pela experimentação e o requinte formal.
“Os filmes serão documentos para o futuro, talvez de uma época quando, em visão retrospectiva, ainda teria sido possível fazer alguma coisa”, apontou Mendonça em artigo publicado na revista online Continente, prosseguindo: “De fato, o problema é menos a cidade e bem mais o que estão fazendo com ela.” “A demolição e a alteração do espaço urbano subtraem obrigatoriamente o que existia antes. A cada novo projeto anunciado e aprovado pelos que deveriam proteger o Recife, vemos sumirem cada vez mais as possibilidades de um espaço público mais sensível, mais inteligente, mais humano”, complementa o diretor.
“Os filmes se voltam para o que seria uma violência seminal: uma investigação em torno do cisma social brasileiro, sua origem e permanência”, resumiu Marcelo Pedroso, ressaltando também um outro aspecto importante do caráter crítico dessas diversas produções: a busca por um tom distante do panfletário e doutrinário que permeou boa parte da cinematografia “engajada” brasileira. “O que faz sentido nos filmes, o que os justifica é a capacidade que eles podem ter de articular um pensamento crítico do mundo. Essa é a política que lhes cabe”, apontou.
Heitor Augusto qualifica O som ao redor como “espetacular”, vendo nele a importância para o cinema brasileiro contemporâneo que tiveram Terra estrangeira, de Daniela Thomas e Walter Salles, para a produção da década de 1990, e Cidade de Deus, para os anos 2000. Ressalta, ainda, a compreensão da diferença de tom em relação à abordagem política como fundamental não só para o entendimento do filme de Mendonça Filho, como para o de uma parte relevante da produção pernambucana recente.
“A gente sempre teve um cinema bem didático, bem marcado, dos anos 1980 pra cá, os filmes do Sérgio Bianchi, da Lucia Murat, nos quais você percebe uma dramaturgia inteiramente engessada, colocando sempre a mensagem e sempre a nobreza do tema do filme acima de qualquer coisa”, analisa o crítico, colaborador de publicações como Interlúdio, Rolling Stone eValor Econômico, que diz não ver essa postura nos trabalhos dessa nova geração pernambucana, que seria responsável inclusive por aprofundar as proposições dos cineastas pernambucanos da geração anterior, composta por nomes como Claudio Assis, Adelina Pontual, Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Marcelo Gomes e Hilton Lacerda cuja expressão primeira foi o filme Baile perfumado, lançado em 1997.
Para Augusto, essa geração anterior teria perdido “o protagonismo e a capacidade de estar na frente para falar sobre o que estamos vivendo e também a capacidade de fazer filme bom”. “O som ao redor dá muito mais conta de pensar sobre como fazer uma inserção política na pós-modernidade do que, por exemplo, A febre do rato, do Cláudio Assis, que a meu ver não ajuda a pensar o presente”, avalia.
Por que Recife?
Gabriel Mascaro define como “orgânica” a conexão entre seus trabalhos e os produzidos por seus colegas pernambucanos contemporâneos, mas ressalta: “A parceria e a admiração é real e sincera. Mas não saberia dizer ao certo se estamos em curso num ‘movimento’. A aproximação temática ou estética é mais acidental que planejada.” Questionado sobre o porquê de esse grupo surgir exatamente em Recife, Marcelo Pedroso supõe que “deve haver uma série de fatores que ajudaram a criar uma base consistente de produção. Vejo sempre com muito carinho a importância que tiveram, e ainda têm, as atividades do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco”, que tem curadoria de Luiz Joaquim em parceria exatamente com Kleber Mendonça Filho. “Nos últimos dez anos, foi um dos mais importantes espaços de formação em cinema da maioria do pessoal que está fazendo filmes hoje. Era lá que víamos os filmes, que os debatíamos, que nos encontrávamos. Lá e nos cineclubes das faculdades. Hoje é diferente, todo mundo consegue ver os filmes que quiser simplesmente baixando-os pela internet. Mas o cinema da Fundaj ajudou a despertar em muitas pessoas o interesse por audiovisual.”
Para o crítico Heitor Augusto, não é fácil encontrar uma resposta que indique o porquê do surgimento dessa cena em Recife. Ele ressalta o surgimento e a difusão do movimentomanguebeat, liderado por Chico Science, como importante nesse processo, por haver ali uma “retomada de um protagonismo, mas um protagonismo de jovem, o que ajuda a constituir uma cena”. Ele lembra também de outro aspecto, a forte especulação imobiliária em curso no Recife, que tem mudado a cara da cidade. “Em muitos desses filmes fazer cinema político e pensar a realidade estão completamente ligados a um modelo de cidade. Talvez eles estejam mais dispostos a tocar nesses temas porque essa cidade está mudando com mais força na cara deles agora.”
Mascaro destaca um outro fator: o apoio estatal. “Acho que em Pernambuco existe uma importante cena que possibilitou não só a realização dos meus projetos com fundos estaduais, mas também a continuidade dessa pesquisa. Isso envolve a organização dos realizadores e artistas e também o fortalecimento das políticas públicas locais.” Do orçamento total de O som ao redor, R$ 550 mil foram provenientes do fundo para o audiovisual do governo do estado de Pernambuco, por exemplo. Augusto concorda com a importância desse fator, lembrando que “talvez do Nordeste inteiro, Pernambuco seja o único estado que tem uma política de incentivo no nível de São Paulo e do Rio de Janeiro”. “Então, além de inquietação estética, de cineastas talentosos, existe ali uma questão de política cultural, uma produção regular e constante”, salienta, antes de concluir: “Mas acho que ninguém tem essa resposta, até mesmo os realizadores de lá não têm; em debates, eles chegam a brincar dizendo que ‘deve ser algo que tem lá na nossa água’.”
Tanto Augusto quanto Pedroso fizeram questão de destacar, em suas entrevistas, que mesmo que esteja em evidência e apresente bons nomes e novos valores, o cinema pernambucano não detém a exclusividade do cinema de qualidade no Brasil atualmente. Citaram como exemplos interessantes a recente produção cearense ou o filme vencedor do último Festival de Tiradentes, A cidade é uma só, que fala sobre a formação de Ceilândia, na periferia de Brasília.
Pedroso, no entanto, acha que a repercussão de O som ao redor não é suficiente para resolver os problemas do cinema brasileiro: “É uma grande surpresa. Do jeito que o mercado está, o filme ter chegado a essa quantidade de público é algo realmente animador. Mas, de modo geral, acho que estamos no caminho errado”, afirmou, vendo no atual cenário um “problema estrutural mesmo, não é só do mercado ou de divulgação”. Para o diretor, a sociedade brasileira como um todo precisaria se repensar em termos de cultura (arte em geral, cinema etc.) e criar mecanismos que viabilizem um outro tipo de consumo”. F
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Revista Fórum
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Anistia de Honestino Guimarães será julgada em sessão histórica
O Brasil volta a pedir desculpas às pessoas que foram perseguidas durante a ditadura militar. Nesta sexta-feira (20), o Ministério da Justiça irá realizar, em Brasília, a 73ª Caravana da Anistia, cujo ponto alto será a apreciação do requerimento de anistia post mortem do ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Honestino Monteiro Guimarães.
A realização da Caravana da Anistia dentro da Universidade de Brasília tem significado muito especial porque era a "Casa do Honestino".
A homenagem terá início às 9 horas, no Memorial Darcy Ribeiro, no campus da Universidade de Brasília (UnB), onde Honestino estudou e militou politicamente. Na ocasião serão homenageados os homens e mulheres que foram perseguidos em razão de sua fidelidade ao projeto democrático da UnB.
Para o presidente da Comissão de Anistia e secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, esta sexta-feira será um dos dias mais importantes que história da Comissão de Anistia já produziu, pela simbologia do que ele representa.
“Pedir desculpas públicas à família do Honestino pelas perseguições que ele sofreu em vida e, posteriormente, pela responsabilidade do Estado no seu desaparecimento é, ao mesmo tempo, pedir desculpas a todos os estudantes que foram impedidos de realizar os seus projetos de vida durante a Ditadura Militar”, explicou o secretário.
Reparação simbólica e moral
Ainda segundo Paulo Abrão, essa reparação a Honestino Guimarães tem um caráter de reparação simbólica e moral. A família do ex-presidente da UNE não solicitou qualquer valor. “É o Estado pedindo desculpas aos familiares, e com isso reconhecendo que foi ele quem deu causa aos sofrimentos que o Honestino e seus familiares tiveram ao longo do tempo”, definiu.
“Isso permite à gente reencontrar a história e permite a produção de uma memória que esteja amparada na narrativa das vítimas, e não exclusivamente nos documentos oficiais produzidos pela repressão, que muitas vezes continham dentro de si informações inverídicas para justificar a violência do Estado contra as pessoas”, concluiu.
De acordo com Paulo Abrão, a realização da Caravana da Anistia dentro da Universidade de Brasília tem também um significado muito especial para o Ministério da Justiça. “Realizar este ato dentro da UnB, que era a ‘casa’ do Honestino, a universidade que o acolheu e pela qual ele lutou, também tem uma simbologia importante, porque ao mesmo tempo resgata o papel de resistência que a instituição de ensino cumpriu à época do regime militar. E não é à toa que muitos professores e outros estudantes foram afastados da UnB” justificou.
“Estamos de algum modo colaborando com a reaproximação da atual UnB com o seu projeto político original, forjado pelo Darcyr Ribeiro, que foi interrompido nos Anos de Chumbo”, acrescentou Abrão.
Imperativo do Estado
O Brasil tem uma lei que prevê a reparação a todos aqueles que foram perseguidos políticos e atingidos por atos de exceção durante a ditadura militar. E é através dela que foi criada a Comissão de Anistia, conselho do Ministério da Justiça que já julgou 60 mil processos em 11 anos.
“É um imperativo de que o Estado tenha o dever de reparar aqueles que ele mesmo prejudicou de forma deliberada. E a família do Honestino, portanto, apresentou a solicitação formal do reconhecimento de anistia política post mortem dele”, lembrou Abrão.
O requerimento da família de Honestino tramitou dentro da Comissão de Anistia, que realizou uma busca de documentações em arquivos públicos, para corroborar com os fatos que já são notórios em torno das perseguições que ele sofreu.
“Depois montamos um processo administrativo, que foi distribuído para um conselheiro da Comissão de Anistia, nomeado pelo ministro da Justiça. E nesta sexta-feira, este conselheiro apresentará um relatório conclusivo aplicando a documentação juntada às hipóteses previstas na lei para a reparação”, detalhou o secretário nacional de Justiça.
Da Redação em Brasília
Com informações do MJ
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013
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