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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Posição de Mantega prevalece no G 20


O ministro Guido Mantega, na reunião do G 20, em Moscou


Ministros das vinte nações mais ricas do mundo assinam documento na Rússia em que se comprometem com o fim da chamada "guerra cambial"; discurso era liderado pelo brasileiro Guido Mantega

A cruzada do ministro brasileiro contra a chamada "guerra cambial" ganhou abrigo no G20, clube das vinte nações mais ricas do mundo, cujos ministros se reuniram na Rússia. 

O G20, grupo que reúne as principais economias do mundo, declarou neste sábado (16) que não deveria haver uma "guerra de moedas" e defendeu que sejam estabelecidos novos objetivos de redução de dívidas, em um indício de preocupação com o frágil estado da economia mundial.

As políticas expansionistas do Japão, que deixaram baixar o yen, escaparam das críticas em um comunicado acordado em Moscou pelos responsáveis financeiros do G20, que reúne s economias desenvolvidas, emergentes e que são responsáveis por 90 por cento da economia mundial.

Após conversas mantidas em grande parte da noite passada, os ministros de finanças e presidentes de banco centrais concordaram com a formulação mais próxima da declaração da última terça-feira do G7, grupo das economias mais ricas e que apóia taxas de câmbio determinadas pelo mercado.

Um esboço do comunicado do G20 visto por delegados na sexta-feira tinha se distanciado do comunicado do G7, mas a versão final incluiu um compromisso do G20 em conter-se ante desvalorizações competitivas e estabelecer uma política monetária que possa apontar para a estabilidade de preços e crescimento.

"Essa linguagem foi reforçada em nossas discussões na noite passada", disse à imprensa o ministro canadense de finanças, Jim Flaherty. "É mais forte do que era, mas à noite ficou bastante claro que todo mundo na mesa quer evitar qualquer situação de dispunta monetária".

Fonte: portal Brasil 247

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cúpula do G20 começa em meio a pressões sobre a Grécia

O encontro de chefes de Estado do G20 começou na manhã desta quinta (3), com sua pauta original ofuscada pela crise grega. Se a agenda da cúpula já estava tomada pela profunda crise na zona do euro, agora a reunião das principais economias do mundo pode centrar-se na polêmica causada pela decisão da Grécia de realizar um referendo sobre o pacote de resgate.


A adoção de medidas para reativar o crescimento mundial e a ajuda dos emergentes para os países da zona do euro seriam os principais pontos de discussão no encontro, que se estende até a sexta (4), em Cannes, na França. Mas as enormes pressões, chantagens e ameaças da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional sobre a Grécia poderão dominar os debates.

Após uma reunião pré-G20 com o primeiro-ministro grego, George Papandreou, líderes europeus deixaram claro que ou a Grécia aceita na íntegra as condições do pacote de reestruturação de sua dívida ou terá de deixar a zona do euro.

"A Grécia deve decidir se quer ou não continuar na zona do euro", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, praticamente dando um ultimato para os gregos aprovarem o acordo. Segundo ela, o objetivo é manter a Grécia na zona do euro, "mas nosso primeiro dever é um euro estável". 

Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, conclamaram a oposição grega a ter o mesmo "senso de responsabilidade" de portugueses e irlandeses – mesmo que isso signifique sacrificar a população. É uma mensagem clara do caráter imperialista das potências que mandam na União Europeia e de que nesse bloco soberania nacional é letra morta.

Ainda surpreendidos com a proposta da consulta popular grega, ambos foram enfáticos ao dizer que a Grécia não receberá mais nenhum centavo enquanto não aprovar o acordo. Para o presidente francês, "a Europa não pode ficar na incerteza e quer uma resposta o mais cedo possível".

Em declarações à televisão grega em Cannes, Papandreou garantiu rapidez aos líderes europeus e mencionou o dia 4 de dezembro como possível data para a realização da consulta popular. Depois das pressões da União Europeia, vários ministros do governo grego agora dizem que o referendo não é mais necessário. O governo social-democrata de Papandreu, que tem aplicado obedientemente as imposições da União Europeia e do FMI, está por um fio.

Em entrevista ao chegar em Cannes, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também
demonstrou preocupação e pediu à Europa que tome decisões importantes, de modo a alcançar uma "solução abrangente" para a crise. Ele afirmou que alguns passos já foram dados, "mas mais é necessário".

"Nós teremos de definir mais os detalhes sobre como o plano será total e decisivamente implementado", disse Obama. As declarações de Obama mostram que a cúpula do G20 inicia-se em meio a contradições de natureza interimperialista.

A atual situação implica diversos riscos também para os Estados Unidos e para Obama. Se a Europa não puder conter a crise na Grécia, ela pode se espalhar pelo continente e atingir os EUA. Com o desemprego em 9,1%, qualquer acontecimento econômico adverso na Europa pode paralisar a recuperação dos EUA, afetando as perspectivas de reeleição de Obama.

Na quinta-feira passada, a Europa definiu um pacote de medidas, em Bruxelas, para tentar resolver uma crise da dívida, que dura já dois anos, e para tentar evitar uma recessão da economia mundial.

Uma das decisões foi ampliar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, dos atuais € 440 bilhões para € 1 trilhão, para evitar o contágio de outros países da zona do euro, como Itália e Espanha. Apesar de não estar muito definido o funcionamento deste fundo de resgate, os europeus esperam que países emergentes como Brasil e China possam contribuir.

Brics

Nesse sentido, a presidente brasileira Dilma Rousseff participou, nesta quinta, de uma reunião com líderes do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Cannes. O objetivo era acertar uma posição comum do bloco no encontro.

Entre os assuntos em discussão estava exatamente a participação do Brics no socorro aos países europeus em dificuldades. Uma nota no blog oficial de Dilma afirma que ela "compartilhou a posição do Brasil em defender uma solução para a crise financeira internacional com crescimento e manutenção de empregos".

Dilma está em Cannes desde terça. Ontem, em seu primeiro dia de compromissos oficiais, ela se reuniu com o presidente da China, Hu Jintao, com a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, e com o diretor-geral da OIT, Juan Somavía.

A abertura oficial da cúpula do G20 estava prevista para as 12h30 desta quinta (9h30 em Brasília), quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, daria as boas-vindas aos chefes das delegações internacionais no Palais des Festivals.

As ruas ao redor do Palácio dos Festivais já estão bloqueadas, num forte esquema de segurança para receber as lideranças. As manifestações contra os efeitos da crise econômica, desta vez, estão concentradas em Nice, a cerca de 20 Km da realização do evento, já que foram impedidas em Cannes.

O G20 foi estabelecido em 1999, como consequência das crises de balanço de pagamentos ocorridas ao longo da década de 1990. Desde 2008, participam das reuniões os presidentes, primeiros-ministros e ministros da Fazenda, além dos dirigentes dos bancos centrais de cada país. O comando rotativo do grupo em 2011 está com a França.

Da Redação,
com agências