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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Medvedev destaca laços estratégicos da Rússia com América Latina

Os laços com a América Latina e o Caribe, considerados estratégicos, e o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, que considerou anacrônico, foram alguns dos tópicos tratados pelo primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, em entrevista à agência noticiosa cubana Prensa Latina.
Para o primeiro-ministro russo, “as relações com os países da América Latina e Caribe não são conjunturais e nada têm a ver com as relações com outros países, sejam os Estados Unidos ou outras nações; aqui temos vários países amistosos com os quais estamos desenvolvendo uma colaboração em todos os níveis”. 

Tendo em conta a análise do papel político e econômico da região, Medvedev afirma que se trata de uma região “de interesse estratégico e de aliados, por isso mantemos excelentes relações diplomáticas e econômico-comerciais com os países da região”. 

O governante russo conta que acaba de visitar o Brasil, “o maior país da região, a quinta economia do mundo, que participa do Brics e com o qual mantemos vínculos muito variados”. Destacando o papel de outros países da região, assinala: “Podemos dizer o mesmo sobre a Argentina, o Chile, a Venezuela, o Equador e outros países com os quais mantemos relações muito avançadas”.

Rússia e Cuba

O primeiro-ministro russo se considera “otimista” quanto ao desenvolvimento das relações com Cuba. E explica os motivos. “Agora estou realizando uma visita a Cuba, que inclui todos os principais componentes de nossas relações, boas, tradicionais e avançadas. Nos últimos anos temos conseguido restabelecer um alto nível das relações cubano-russas e russo-cubanas. Nesta visita mantivemos negociações sobre todos os aspectos de nossa cooperação, seja econômica, humanitária e de política externa”.

Medvedev explica ainda que as relações entre a Rússia e Cuba não têm nenhum tema problemático. “Pelo contrário, avançamos em todas as direções”, enfatiza. Ele exemplifica que os dois governos assinaram 10 documentos muito importantes, cada um dos quais inclui oportunidades econômicas e soluções estatais e conta que manteve negociações amistosas e de confiança com o presidente do Conselho de Estado e de Ministros da República de Cuba, Raúl Castro Ruz. “Foi o nosso segundo encontro, já que nosso colega cubano visitou a Rússia há pouco.” Medvedev lembrou que em 2009 ele e Raúl Castro assinaram o memorando sobre relações estratégicas entre Cuba e a Federação Russa e que o desenvolvimento das relações entre os dois países se rege por este plano.

Medvedev detalha os aspectos que considera importantes nessas relações: “Colaboramos em muitas esferas, tanto tradicionais como novas. Não vou falar muito sobre projetos energéticos, pois uma parte deles já está realizada, ao passo que a outra parte será realizada. Gosto muito de nossos projetos no âmbito das altas tecnologias, seja a medicina, o espaço ou alguns planos industriais nos quais temos avançado muito”.

O primeiro-ministro teceu considerações sobre o estágio de desenvolvimento das relações comerciais e econômicas: “Provavelmente o atual intercâmbio comercial não esteja no nível que deveria, um pouco mais de US$ 200 milhões, o que não é muito. Os planos de investimentos são bons e crescerão, mas a circulação de mercadorias não é muito grande. Contudo, estou seguro de que é um assunto em mutação e que este indicador irá subindo e adquirindo novas formas de colaboração”.

Uma das áreas mencionadas por Medvedev foi o turismo. “Recuperamos em grande parte os contatos de circulação de pessoas. No ano passado, cerca de 90 mil turistas russos visitaram Cuba, apesar da enorme distância entre os dois países. Nossa gente conscientemente escolhe Cuba como destino para descanso e turismo. As pessoas gostam daqui, sentem-se cômodas aqui e têm sentimentos amistosos para com os cubanos, gostam de descansar aqui. Temos um fundamento muito sólido criado em outro período histórico e creio que é sumamente importante para nós não só conservar o que foi feito, mas também fortalecê-lo”.

Medvedev encerra seus comentários sobre as relações com Cuba, mencionando os encontros que manteve com os líderes da Revolução. “Depois da reunião com Raúl Castro tive uma conversação com o comandante Fidel, de carácter informal. Foi meu segundo encontro desse tipo com ele, o primeiro foi em 2008. Foi muito interessante falar com Fidel, escutar suas sensações sobre o que está ocorrendo, ele está muito bem informado sobre todos os acontecimentos internacionais. Falamos de distintos assuntos, como o desenvolvimento da economia cubana e os problemas mundiais. Em geral, falamos das coisas mais diversas e até de alguns fatos extraordinários como a explosão de um meteorito no céu sobre a Rússia ou o problema do gás de xisto. Parece-me que conversações como estas demonstram que o potencial de nossas relações não só tem muita história, mas também um futuro maravilhoso. Para mim pessoalmente é muito interessante.”

Rússia e EUA

A entrevista com o primeiro-ministro russo abordou temas estratégicos de interesse mundial, nomeadamente as relações bilaterais com os Estados Unidos. “Temos passado por diferentes períodos em nossas relações. É preciso reconhecer que em geral nos últimos anos nossas relações não se desenvolveram mal, porque temos conseguido preparar e assinar documentos muito importantes, inclusive o Tratado de Redução de Armas Estratégicas Ofensivas e alguns acordos comerciais. Nossos colegas estadunidenses favoreceram nosso ingresso na Organização Mundial de Comércio (OMC). São fatos positivos. 

Contudo, nossas atitudes a respeito de alguns assuntos se diferenciam seriamente. Um deles é o armamento, inclusive a defesa antimísseis. Apesar de todas as nossas tentativas de explicar aos estadunidenses que vemos a defesa antimísseis europeia em seu estado proposto como um sistema dirigido contra a Federação Russa e nosso potencial atômico (com o qual agora se mantém uma paridade nuclear no mundo), os Estados e a Otan não gostam dos nossos argumentos. Tratam de tranquilizar-nos dizendo ‘não é contra vocês, mas contra outros países’. Infelizmente, estas considerações não nos parecem convincentes”. 

Medvedev adverte para os perigos que tais divergências encerram para a situação internacional. “Se não conseguimos chegar a nenhum acordo, as consequências para as relações internacionais poderiam ser muito desagradáveis, porque teríamos que tomar medidas de resposta; qualquer governo russo, teria que tomar, qualquer dirigente da Rússia teria que tomar medidas, simplesmente porque assim determinam os nossos interesses estratégicos.”

O chefe do governo russo menciona ainda outros fatores agravantes nas relações com os Estados Unidos. “De fato, depois de nosso ingresso na OMC e de uma aparente normalização das relações econômico-comerciais e da abolição de certas emendas discriminatórias muito conhecidas... os Estados Unidos gostam de aprová-las e algumas eram dirigidas contra nosso país; mencionaremos também o bloqueio econômico a Cuba e por certo, quero destacar que não mudaremos nossa posição e consideramos que é uma medida indigna, um anacronismo e quanto antes seja eliminado, melhor será para todos, não só para os cubanos, mas para os estadunidenses em primeiro lugar. Voltando às nossas relações com os Estados Unidos, simultaneamente com a revogação da chamada emenda Jackson-Vanik, aprovaram um documento claramente anti-Rússia, a chamada 'Ley Magnitski'.” 

“Em reiteradas ocasiões, dei minha visão sobre a natureza deste documento e considero que se trata da politização de um caso muito triste que ocorreu com um cidadão da Rússia. Mas algumas forças políticas, não digo que seja a administração dos Estados Unidos no sentido estrito da palavra, fizeram aprovar este documento, com o apoio dos legisladores. Tivemos que responder. Eu falei sobre isso quando era presidente e o mandatário atual, Vladimir Putin, também tinha avisado os Estados Unidos. Mas tivemos que tomar medidas em resposta como a lei sobre a responsabilidade das pessoas que violam os direitos humanos e interesses dos cidadãos russos. Este é um bom caminho? Não. É um mau caminho e quanto menos motivos surjam, melhor será para as relações russo-americanas em particular e as relações internacionais em geral.”

O primeiro-ministro da Federação Russa também discorreu sobre a crise econômica internacional e se mostrou otimista com o desenvolvimento de seu país nos campos econômico, social, científico e tecnológico. Medvedev crê que a Rússia pode desempenhar um papel ativo na construção de uma nova arquitetura econômico-financeira mundial, baseada na cooperação e no policentrismo.

Com Prensa Latina

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Posição de Mantega prevalece no G 20


O ministro Guido Mantega, na reunião do G 20, em Moscou


Ministros das vinte nações mais ricas do mundo assinam documento na Rússia em que se comprometem com o fim da chamada "guerra cambial"; discurso era liderado pelo brasileiro Guido Mantega

A cruzada do ministro brasileiro contra a chamada "guerra cambial" ganhou abrigo no G20, clube das vinte nações mais ricas do mundo, cujos ministros se reuniram na Rússia. 

O G20, grupo que reúne as principais economias do mundo, declarou neste sábado (16) que não deveria haver uma "guerra de moedas" e defendeu que sejam estabelecidos novos objetivos de redução de dívidas, em um indício de preocupação com o frágil estado da economia mundial.

As políticas expansionistas do Japão, que deixaram baixar o yen, escaparam das críticas em um comunicado acordado em Moscou pelos responsáveis financeiros do G20, que reúne s economias desenvolvidas, emergentes e que são responsáveis por 90 por cento da economia mundial.

Após conversas mantidas em grande parte da noite passada, os ministros de finanças e presidentes de banco centrais concordaram com a formulação mais próxima da declaração da última terça-feira do G7, grupo das economias mais ricas e que apóia taxas de câmbio determinadas pelo mercado.

Um esboço do comunicado do G20 visto por delegados na sexta-feira tinha se distanciado do comunicado do G7, mas a versão final incluiu um compromisso do G20 em conter-se ante desvalorizações competitivas e estabelecer uma política monetária que possa apontar para a estabilidade de preços e crescimento.

"Essa linguagem foi reforçada em nossas discussões na noite passada", disse à imprensa o ministro canadense de finanças, Jim Flaherty. "É mais forte do que era, mas à noite ficou bastante claro que todo mundo na mesa quer evitar qualquer situação de dispunta monetária".

Fonte: portal Brasil 247

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Estudo prevê que Brics superarão EUA e Europa


Em poucos anos, as economias do Brasil, da Rússia, da Índia e da China devem superar as dos Estados Unidos e dos 27 países que integram a União Europeia (UE). A conclusão é do Instituto de Negócios Alemão (cuja sigla em alemão é IW). Segundo especialistas, a economia global gerou "mudanças tectônicas" nas economias emergentes.


Para o instituto alemão, a pressão da crise financeira internacional sobre as economias mundiais e os mercados financeiros enfraquece os Estados Unidos e fortalece os países em desenvolvimento. O estudo destacou o comércio entre a Alemanha e os Brics (Acrônimo que representam os emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

De acordo com o relatório, as negociações na Alemanha com os Brics envolvem, em geral, engenharia mecânica, indústria automotiva, indústria de bens eletrônicos e de indústria química. Pela análise do instituto, a economia dos Brics, nos últimos anos, registrou aceleração econômica, enquanto a participação na economia global tem sido claramente superior à dos países da chamada zona do euro.

Pelos dados compilados peli instituto, no período de 2002 a 2010, houve crescimento de 12% para 21% das exportações da Alemanhã para Brasil, Rússia, Índia e China. O relatório informa que há “ um grande futuro para os Brics". Segundo o texto, o grupo reúne elementos para se tornar um “gigante no futuro”.

O estudo IW indicou ainda que, lentamente, os Estados Unidos perdem espaço no cenário econômico, embora se mantenha como segundo colocado para produtos alemães em 2010, apesar da queda de 5% das importações alemãs em relação a 2005", disse ele.

O Instituto de Negócios Alemão (cuja sigla em alemão é IW) é uma entidade independente que atua no setor de negócios privados desde 1951. A sede do órgão está localizada na cidade alemã de Colônia.

*Com informações das agências públicas de notícias do México e da Alemanha

Edição: Vinicius Doria


terça-feira, 12 de abril de 2011

Há 50 anos, União Soviética fez história ao levar homem ao espaço

Na manhã de 12 de abril de 1961, o soviético Alekseyevich fez um café-da-manhã inédito. Flutuando a 327 quilômetros acima da superfície terrestre, o homem de apenas 27 anos comeu e bebeu dentro de uma bola de apenas 2,3 metros. Ficou conhecido para a posteridade como Yuri Gagarin e seu desjejum matinal era apenas um feito dentro de outro maior.

Gagarin

O cosmonauta Yuri Gagarin, na cápsula Vostok 2

Foi a segunda refeição do dia para o piloto da força aérea da extinta União das Repúblicas Socialistas Sociéticas (a ex-URSS). Horas antes, na companhia do seu substituto imediato German Titov, o cosmonauta já havia recebido “comida do espaço” para se acostumar à rotina durante a missão.

Nesta terça-feira (12), a Rússia celebra, com grande pompa, os 50 anos deste que foi o primeiro e histórico voo espacial tripulado por um ser humano, realizado por Gagarin. Para marcar a data da primeira órbita completa em torno da Terra, serão realizadas diversas cerimônias em toda a Rússia. No Kremlin, haverá uma salva de 50 tiros. Segundo o presidente russo, Dmitry Medvedev, o cosmonauta participou de um evento "revolucionário" que mudou o mundo.

Desde a missão espacial de 1961, outros 500 homens e mulheres, de mais de 30 países, seguiram seus passos. Mas a primazia coube a um piloto, Gagarin, que — após intensos testes de resistência física e psicológica — foi o escolhido entre mais de 3.500 aspirantes à missão.

Os candidatos foram submetidos a um regime de treinamento severo, que envolvia longos períodos em câmaras de isolamento. Dos seis homens selecionados como possíveis candidatos à primeira aventura do homem no espaço, sobraram somente dois no final — Gagarin e German Titov.

A decisão sobre quem estaria a bordo da nave redonda Vostok 1 foi comunicada ao grupo apenas quatro dias antes da missão. Alguns acreditam que a origem humilde de Gagarin contribuiu para que ele fosse o escolhido. Enquanto Titov teve uma criação de classe média, Gagarin era filho de operários.

Os líderes soviéticos podem ter encarado isso como uma demonstração de que, sob o comunismo, até mesmo os representantes de famílias mais humildes poderiam ser bem-sucedidos. Mas outros defendem que o desempenho do cosmonauta durante o processo de seleção foi um fator muito mais importante.

Corrida espacial

À época, a União Soviética e os Estados Unidos travavam uma batalha silenciosa para saber qual nação levaria o primeiro ser humano à Lua. Durante a Guerra Fria, tais ''primeiras vezes'' eram usadas pelos dois países para afirmar superioridade tecnológica e ideológica.

Os norte-americanos venceram a disputa em 1969, com o “pisão” inaugural de Neil Armstrong no satélite natural da Terra. Mas, nos oito anos anteriores, os soviéticos sempre estiveram à frente — inclusive no lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 1957.

O voo de Gagarin lançou o mundo na era de missões espaciais tripuladas e foi um grande feito da União Soviética. “Quando ele voou, minha primeira impressão foi: ‘Bem, eles passaram à nossa frente novamente”, afirma o americano Charles Duke, que pisou na Lua durante a missão da Apollo 16, em 1972.

No início de 1961, o astronauta americano Alan Shepard vinha treinando para um voo sub-orbital em um foguete Mercury-Redstone, previsto para decolar em maio daquele ano. Os soviéticos não estavam cientes da data do lançamento — mas Sergei Korolev, o cientista-chefe do programa espacial soviético, temia que os Estados Unidos saíssem na frente e pressionou para que o lançamento se desse o quanto antes.

Os americanos só levariam o primeiro homem ao espaço alguns meses mais tarde, durante a viagem de Shepard no voo da Freedom 7, em 5 de maio de 1961. Porém somente em 7 de fevereiro de 1962, durante a missão Friendship, com John Glenn, o país teve seu primeiro astronauta completando uma volta inteira ao redor do planeta. Ambos os feitos fizeram parte do Projeto Mercury, da agência espacial norte-americana (Nasa).

O histórico voo

O voo de Gagarin começou às 9h07 no horário de Moscou, com o lançamento da cápsula Vostok 1 com o foguete R-7. Antes de decolar, o cosmonauta gritou “Poyekhali!” (“Vamos lá!", em tradução livre). A nave partiu das instalações do então secreto Cosmódromo de Baikonur, conhecido à época também como Tyuratam, localizado atualmente nas estepes do Cazaquistão — uma das ex-repúblicas soviéticas.

Onze minutos após a decolagem, o combustível do foguete acabou, a Vostok foi liberada e a humanidade entrava em órbita pela primeira vez. Para girar ao redor do planeta, a Vostok precisou alcançar uma velocidade média de 28 mil km/h. Gagarin não chegou a controlar a nave, ainda que os controles para uma operação manual da Vostok 1 estivessem disponíveis ao piloto soviético.

“Ninguém sabia que efeito a gravidade zero teria sobre os astronautas lá em cima. Eles estavam preocupados com o risco de que ele pudesse ficar desorientado e inválido, uma vez exposto à ausência de gravidade'', lembra Reginald Turnill, repórter de temas aerospaciais da BBC entre 1958 e 1975. “'Foi decidido desde o início que ele não teria o controle da nave espacial — que o controle seria feito a partir da base.”

Durante os 108 minutos de duração da missão, Gagarin deu uma volta inteira em torno da Terra. Com 1,57 metro de altura, ele estava em melhores condições do que muitos para tolerar o aperto de sua cápsula espacial. O cosmonauta se alimentava apertando tubos contendo alimentos líquidos e mantinha os controladores de sua missão a par de seu paradeiro por meio de um rádio de alta frequência e de uma chave de telégrafo.

Havia preocupação com o que aconteceria se o controle a partir da base fosse perdido. Mas Gagarin recebeu um envelope selado contendo códigos que permitiram que ele assumisse o controle da nave espacial com o auxílio de um computador que havia a bordo.

Só mais tarde veio à tona o fato de que a missão por pouco não foi um desastre. Cabos que ligavam a cápsula da nave espacial ao módulo de serviço não conseguiram se separar antes do reingresso de Gagarin na órbita terrestre. Por isso, a cápsula acabou sobrecarregada por um módulo extra ao reingressar na atmosfera da Tera. As temperaturas dentro da cápsula se tornaram perigosamente elevadas, e Gagarin por pouco não perdeu a consciência, após a cabine ter girado violentamente.

Os relatos do cosmonauta narram a sensação de estar sob o efeito de uma gravidade menor. “'Eu estava dentro de uma nuvem de fogo, dirigindo-me para a Terra'”, recordou, depois, o cosmonauta. Foram precisos dez minutos para que os cabos finalmente se soltassem e que o módulo de descida, contendo o passageiro, se libertasse.

Antes de sua cápsula cair, Gagarin saltou de pára-quedas e retornou ao solo terrestre às 10h55, pousando perto do rio Volga, numa área de plantação em Smelovka, na província de Saratov, a 300 quilômetros de onde deveria ter pousado. O cosmonauta recebeu, então, seu terceiro café-da-manhã naquele dia: leite e pão de Anna Takhtarova — uma avó espantada com a figura de um homem vestido em trajes laranjas e com um capacete, vindo do espaço.

Legado

Após retornar ao planeta que ele reconheceu como “azul”, o outrora desconhecido piloto foi transformado em herói soviético e celebridade mundial. Monumentos foram erguidos em sua homenagem, e ruas foram batizadas com o seu nome em diversas cidades soviéticas.

Gjatsk, a cidade em que ele passou boa parte de sua infância, foi até mesmo rebatizada como Gagarin. Nikita Khruchov abraçou o cosmonauta assim que ele saltou do avião que o trouxe a Moscou. Pouco depois, o líder soviético o compararia a Cristóvão Colombo e lhe concederia, efetivamente, o status de herói da União Soviética.

Gagarin foi poupado de outras missões pelo medo de um acidente encerrar a vida de um dos principais ícones soviéticos durante a Guerra Fria. Ironicamente, o temor se justificou em 28 de maio de 1968, quando, num acidente durante testes em um avião MiG, Gagarin morreu aos 34 anos.

Na última sexta-feira, em entrevista à imprensa, o chefe dos Arquivos do Kremlin, Aleksandr Stepanov, leu um documento sobre a investigação que estava guardado a sete chaves: "Conclusões da comissão: segundo as análises das circunstâncias do acidente aéreo e os elementos da enquete, a causa mais provável da catástrofe seja uma manobra brusca (do piloto) para evitar uma sonda atmosférica".

"Espero que ponham um ponto final às numerosas especulações que circulam na Rússia em livros pseudo-históricos", declarou Stepanov. Já o subchefe da agência espacial russa Roskosmos, Vitali Davydov, afirmou que todos os documentos disponíveis sobre o assunto foram desarquivados. No entanto, "não encontramos alguns deles".

São mais de mais de 200 documentos e processos desarquivados, por ocasião dos 50 anos do voo de Gagarin. Como sinal da importância do caso, as conclusões haviam sido inscritas num decreto do Comitê Central do Partido Comunista da então URSS, datado de 28 de novembro de 1968, com o selo de "segredo de Estado". Após a tragédia, uma cratera na Lua e um asteroide foram nomeados em homenagem ao cosmonauta.

Monumento

Em outra iniciativa que é parte da série de eventos para marcar os 50 anos da viagem pioneira ao espaço, uma estátua de Gagarin será instalada em Londres, por um ano, a partir de julho. A obra, com 3,5 metros de altura, feita de zinco e alumínio, é um presente da Agência Espacial Russa ao Conselho Britânico — entidade que representa a Grã-Bretanha culturalmente no exterior.

Depois de entrar para a História a bordo da cápsula Vostok, Gagarin saiu numa turnê mundial que incluiu o Reino Unido, onde se encontrou com o então primeiro-ministro, Harold McMillan. Documentos confidenciais divulgados recentemente revelam que o governo britânico não sabia ao certo como lidar com a visita do russo.

O encontro teria sido arranjado às pressas, somente após os políticos se darem conta de que Gagarin era popular entre os britânicos. “Ele não era apenas o homem mais popular do mundo ao retornar do espaço para a Terra” comenta Andrea Rose, diretor de artes visuais do Conselho Britânico. “Gagarin também era a única figura famosa que não era estrela de cinema nem rei ou rainha. Era um ídolo de raízes populares.”

Da Redação, com agências
Portal Vermelho