Mostrando postagens com marcador Cuba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cuba. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Medvedev destaca laços estratégicos da Rússia com América Latina

Os laços com a América Latina e o Caribe, considerados estratégicos, e o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, que considerou anacrônico, foram alguns dos tópicos tratados pelo primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, em entrevista à agência noticiosa cubana Prensa Latina.
Para o primeiro-ministro russo, “as relações com os países da América Latina e Caribe não são conjunturais e nada têm a ver com as relações com outros países, sejam os Estados Unidos ou outras nações; aqui temos vários países amistosos com os quais estamos desenvolvendo uma colaboração em todos os níveis”. 

Tendo em conta a análise do papel político e econômico da região, Medvedev afirma que se trata de uma região “de interesse estratégico e de aliados, por isso mantemos excelentes relações diplomáticas e econômico-comerciais com os países da região”. 

O governante russo conta que acaba de visitar o Brasil, “o maior país da região, a quinta economia do mundo, que participa do Brics e com o qual mantemos vínculos muito variados”. Destacando o papel de outros países da região, assinala: “Podemos dizer o mesmo sobre a Argentina, o Chile, a Venezuela, o Equador e outros países com os quais mantemos relações muito avançadas”.

Rússia e Cuba

O primeiro-ministro russo se considera “otimista” quanto ao desenvolvimento das relações com Cuba. E explica os motivos. “Agora estou realizando uma visita a Cuba, que inclui todos os principais componentes de nossas relações, boas, tradicionais e avançadas. Nos últimos anos temos conseguido restabelecer um alto nível das relações cubano-russas e russo-cubanas. Nesta visita mantivemos negociações sobre todos os aspectos de nossa cooperação, seja econômica, humanitária e de política externa”.

Medvedev explica ainda que as relações entre a Rússia e Cuba não têm nenhum tema problemático. “Pelo contrário, avançamos em todas as direções”, enfatiza. Ele exemplifica que os dois governos assinaram 10 documentos muito importantes, cada um dos quais inclui oportunidades econômicas e soluções estatais e conta que manteve negociações amistosas e de confiança com o presidente do Conselho de Estado e de Ministros da República de Cuba, Raúl Castro Ruz. “Foi o nosso segundo encontro, já que nosso colega cubano visitou a Rússia há pouco.” Medvedev lembrou que em 2009 ele e Raúl Castro assinaram o memorando sobre relações estratégicas entre Cuba e a Federação Russa e que o desenvolvimento das relações entre os dois países se rege por este plano.

Medvedev detalha os aspectos que considera importantes nessas relações: “Colaboramos em muitas esferas, tanto tradicionais como novas. Não vou falar muito sobre projetos energéticos, pois uma parte deles já está realizada, ao passo que a outra parte será realizada. Gosto muito de nossos projetos no âmbito das altas tecnologias, seja a medicina, o espaço ou alguns planos industriais nos quais temos avançado muito”.

O primeiro-ministro teceu considerações sobre o estágio de desenvolvimento das relações comerciais e econômicas: “Provavelmente o atual intercâmbio comercial não esteja no nível que deveria, um pouco mais de US$ 200 milhões, o que não é muito. Os planos de investimentos são bons e crescerão, mas a circulação de mercadorias não é muito grande. Contudo, estou seguro de que é um assunto em mutação e que este indicador irá subindo e adquirindo novas formas de colaboração”.

Uma das áreas mencionadas por Medvedev foi o turismo. “Recuperamos em grande parte os contatos de circulação de pessoas. No ano passado, cerca de 90 mil turistas russos visitaram Cuba, apesar da enorme distância entre os dois países. Nossa gente conscientemente escolhe Cuba como destino para descanso e turismo. As pessoas gostam daqui, sentem-se cômodas aqui e têm sentimentos amistosos para com os cubanos, gostam de descansar aqui. Temos um fundamento muito sólido criado em outro período histórico e creio que é sumamente importante para nós não só conservar o que foi feito, mas também fortalecê-lo”.

Medvedev encerra seus comentários sobre as relações com Cuba, mencionando os encontros que manteve com os líderes da Revolução. “Depois da reunião com Raúl Castro tive uma conversação com o comandante Fidel, de carácter informal. Foi meu segundo encontro desse tipo com ele, o primeiro foi em 2008. Foi muito interessante falar com Fidel, escutar suas sensações sobre o que está ocorrendo, ele está muito bem informado sobre todos os acontecimentos internacionais. Falamos de distintos assuntos, como o desenvolvimento da economia cubana e os problemas mundiais. Em geral, falamos das coisas mais diversas e até de alguns fatos extraordinários como a explosão de um meteorito no céu sobre a Rússia ou o problema do gás de xisto. Parece-me que conversações como estas demonstram que o potencial de nossas relações não só tem muita história, mas também um futuro maravilhoso. Para mim pessoalmente é muito interessante.”

Rússia e EUA

A entrevista com o primeiro-ministro russo abordou temas estratégicos de interesse mundial, nomeadamente as relações bilaterais com os Estados Unidos. “Temos passado por diferentes períodos em nossas relações. É preciso reconhecer que em geral nos últimos anos nossas relações não se desenvolveram mal, porque temos conseguido preparar e assinar documentos muito importantes, inclusive o Tratado de Redução de Armas Estratégicas Ofensivas e alguns acordos comerciais. Nossos colegas estadunidenses favoreceram nosso ingresso na Organização Mundial de Comércio (OMC). São fatos positivos. 

Contudo, nossas atitudes a respeito de alguns assuntos se diferenciam seriamente. Um deles é o armamento, inclusive a defesa antimísseis. Apesar de todas as nossas tentativas de explicar aos estadunidenses que vemos a defesa antimísseis europeia em seu estado proposto como um sistema dirigido contra a Federação Russa e nosso potencial atômico (com o qual agora se mantém uma paridade nuclear no mundo), os Estados e a Otan não gostam dos nossos argumentos. Tratam de tranquilizar-nos dizendo ‘não é contra vocês, mas contra outros países’. Infelizmente, estas considerações não nos parecem convincentes”. 

Medvedev adverte para os perigos que tais divergências encerram para a situação internacional. “Se não conseguimos chegar a nenhum acordo, as consequências para as relações internacionais poderiam ser muito desagradáveis, porque teríamos que tomar medidas de resposta; qualquer governo russo, teria que tomar, qualquer dirigente da Rússia teria que tomar medidas, simplesmente porque assim determinam os nossos interesses estratégicos.”

O chefe do governo russo menciona ainda outros fatores agravantes nas relações com os Estados Unidos. “De fato, depois de nosso ingresso na OMC e de uma aparente normalização das relações econômico-comerciais e da abolição de certas emendas discriminatórias muito conhecidas... os Estados Unidos gostam de aprová-las e algumas eram dirigidas contra nosso país; mencionaremos também o bloqueio econômico a Cuba e por certo, quero destacar que não mudaremos nossa posição e consideramos que é uma medida indigna, um anacronismo e quanto antes seja eliminado, melhor será para todos, não só para os cubanos, mas para os estadunidenses em primeiro lugar. Voltando às nossas relações com os Estados Unidos, simultaneamente com a revogação da chamada emenda Jackson-Vanik, aprovaram um documento claramente anti-Rússia, a chamada 'Ley Magnitski'.” 

“Em reiteradas ocasiões, dei minha visão sobre a natureza deste documento e considero que se trata da politização de um caso muito triste que ocorreu com um cidadão da Rússia. Mas algumas forças políticas, não digo que seja a administração dos Estados Unidos no sentido estrito da palavra, fizeram aprovar este documento, com o apoio dos legisladores. Tivemos que responder. Eu falei sobre isso quando era presidente e o mandatário atual, Vladimir Putin, também tinha avisado os Estados Unidos. Mas tivemos que tomar medidas em resposta como a lei sobre a responsabilidade das pessoas que violam os direitos humanos e interesses dos cidadãos russos. Este é um bom caminho? Não. É um mau caminho e quanto menos motivos surjam, melhor será para as relações russo-americanas em particular e as relações internacionais em geral.”

O primeiro-ministro da Federação Russa também discorreu sobre a crise econômica internacional e se mostrou otimista com o desenvolvimento de seu país nos campos econômico, social, científico e tecnológico. Medvedev crê que a Rússia pode desempenhar um papel ativo na construção de uma nova arquitetura econômico-financeira mundial, baseada na cooperação e no policentrismo.

Com Prensa Latina

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

40 perguntas para Yoani Sánchez

Por Salim Lamrani, no sítio Opera Mundi:

1. Quem organiza e financia sua turnê mundial?

2. Em agosto de 2002, depois de se casar com o cidadão alemão chamado Karl G., abandonou Cuba, “uma imensa prisão com muros ideológicos”, para imigrar para a Suíça, uma das nações mais ricas do mundo. Contrariamente a qualquer expectativa, em 2004, decidiu voltar a Cuba, “barco furado prestes a afundar”, onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos introduzem o medo através do golpe, da ameaça, da chantagem”, onde “os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo se estabelecia”. Que razões motivaram esta escolha?

3. Segundo os arquivos dos serviços diplomáticos cubanos de Berna, Suíça, e de serviços migratórios da ilha, você pediu para voltar a Cuba por dificuldades econômicas com as quais se deparou na Suíça. É verdade?

4. Como pôde se casar com Karl G. se já estava casada com seu atual marido Reinaldo Escobar?

5. Ainda é seu objetivo estabelecer um “capitalismo sui generis” em Cuba?

6. Você criou seu blog Geração y (Generación Y) em 2007. Em 4 de abril de 2008 conseguiu o Prêmio de Jornalismo Ortega e Gasset, de 15 mil euros, outorgado pelo jornal espanhol El País. Geralmente, este prêmio é dado a jornalistas prestigiados ou a escritores de grande carreira literária. É a primeira vez que uma pessoa com seu perfil o recebe. Você foi selecionada entre cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008). Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela cadeia CNN e pela revista Time (2008), e também conquistou o prêmio espanhol Bitacoras.com, assim como The Bob’s (2008). El País lhe incluiu em sua lista das cem personalidades hispano-americanas mais influentes do ano 2008. A revista Foreign Policy ainda a incluiu entre os dez intelectuais mais importantes do ano em dezembro de 2008. A revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo em 2008. A prestigiosa universidade norte-americana de Columbia lhe concedeu o prêmio María Moors Cabot. Como você explica esta avalanche de prêmios, acompanhados de importantes quantias financeiras, em apenas um ano de existência?

7. Em que emprega os 250 mil euros conseguidos graças a estas recompensas, um valor equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como França, quinta potencia mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba?

8. A Sociedade Interamericana de Imprensa, que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. Qual é seu salário mensal por este cargo?

9. Você também é correspondente do jornal espanhol El País. Qual é sua remuneração mensal?

10. Quantas entradas de cinema, de teatro, quantos livros, meses de aluguel ou pizzas pode pagar em Cuba com sua renda mensal?

11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na ilha pode se permitir levar?

12. O que faz para se conectar à Internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?

13. Como é possível que seu blog possa usar Paypal, sistema de pagamento online que nenhum cubano que vive em Cuba pode utilizar por conta das sanções econômicas que proíbem, entre outros, o comércio eletrônico?

14. Como pôde dispor de um Copyright para seu blog “© 2009 Generación Y - All Rights Reserved”, enquanto nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo por causa das leis do embargo?

15. Quem se esconde atrás de seu site desdecuba.net, cujo servidor está hospedado na Alemanha pela empresa Cronos AG Regensburg, registrado sob o nome de Josef Biechele, que hospeda também sites de extrema direita?

16. Como pôde fazer seu registro de domínio por meio da empresa norte-americana GoDady, já que isto está formalmente proibido pela legislação sobre as sanções econômicas?

17. Seu blog está disponível em pelo menos 18 idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, português, russo, esloveno, polaco, chinês, japonês, lituano, checo, búlgaro, holandês, finlandês, húngaro, coreano e grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive das mais importantes instituições internacionais, como por exemplo as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE ou a União Europeia, dispõem de tantas versões linguísticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, nem o da CIA dispõem de igual variedade. Quem financia as traduções?

18. Como é possível que o site que hospeda seu blog disponha de uma banda com capacidade 60 vezes superior àquela que Cuba dispõe para todos os usuários de Internet?

19. Quem paga a gestão do fluxo de mais de 14 milhões de visitas mensais?

20. Você possui mais de 400 mil seguidores em sua conta no Twitter. Apenas uma centena deles reside em Cuba. Você segue mais de 80 mil pessoas. Você afirma “Twitto por sms sem acesso à web”. Como pode seguir mais de 80 mil pessoas sem ter acesso à internet?

21. O site www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da rede social Twitter. Revela a partir de 2010 uma impressionante atividade de sua conta. A partir de junho de 2010, você se inscreveu em mais de 200 contas diferentes do Twitter a cada dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. Como pôde realizar tal proeza?

22. Por que cerca de seus 50 mil seguidores são na verdade contas fantasmas ou inativas? De fato, dos mais de 400 mil perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são ovos (sem foto) e 20 mil têm características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta).

23. Como é possível que muitas contas do Twitter não tenham nenhum seguidor, apenas seguem você e tenham emitido mais de duas mil mensagens? Por acaso seria para criar uma popularidade fictícia? Quem financiou a criação de contas fictícias?

24. Em 2011, você publicou 400 mensagens por mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de 1,25 dólares. Você gastou seis mil dólares por ano com o uso do Twitter. Quem paga por isso?

25. Como é possível que o presidente Obama tenha lhe concedido uma entrevista, enquanto recebe centenas de pedidos dos mais importantes meios de comunicação do mundo?

26. Você afirmou publicamente que enviou ao presidente Raúl Castro um pedido de entrevista depois das respostas de Barack Obama. No entanto, um documento oficial do chefe da diplomacia norte-americana em Cuba, Jonathan D. Farrar, afirma que você nunca escreveu a Raúl Castro: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou nunca tê-las enviado [as perguntas] ao presidente cubano. Por que mentiu?

27. Por que você, tão expressiva em seu blog, oculta seus encontros com diplomáticos norte-americanos em Havana?

28. Entre 16 e 22 de setembro de 2010, você se reuniu secretamente em seu apartamento com a subsecretaria de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, como revelam os documentos do Wikileaks. Por que manteve um manto de silêncio sobre este encontro? De que falaram?

29. Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana afirma que se reunia regularmente com você em sua casa, como indicam documentos confidenciais da SINA. Em uma entrevista, ele compartilhou sua preocupação em relação à publicação dos cabos diplomáticos norte-americanos pelo Wikileaks: “Eu me incomodaria muito se as numerosas conversas que tive com Yoani Sánchez forem publicadas. Ela poderia sofrer as consequências por toda a vida”. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: quais são as razões por que você teria problemas com a justiça cubana se sua atuação, conforme afirma, respeita o marco da legalidade?

30. Continua pensando que “muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez”?

31. Continua pensando que “havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de toda tendência política” sob a ditadura de Fulgencio Batista entre 1952 e 1958?

32. Você declarou em 2010: “o bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intolerância, o controle e a repressão interna. Se amanhã as suspenderem as sanções, duvido muito que sejam vistos os efeito”. Continua convencida de que as sanções econômicas não têm nenhum efeito na população cubana?

33. Condena a imposição de sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba?

34. Condena a política dos Estados Unidos que busca uma mudança de regime em Cuba em nome da democracia, enquanto apoio as piores ditaduras do Oriente Médio?

35. Está a favor da extradição de Luis Posada Carriles, exilado cubano e ex-agente da CIA, responsável por mais de uma centena de assassinatos, que reconheceu publicamente seus crimes e que vive livremente em Miami graças à proteção de Washington?

36. Está a favor da devolução da base naval de Guantánamo que os Estados Unidos ocupam?

37. Você é favorável à libertação dos cinco presos políticos cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em organizações terroristas do exílio cubano na Florida?

38. Em sua opinião, é normal que os Estados Unidos financiem uma oposição interna em Cuba para conseguir “uma mudança de regime”?

39. Em sua avaliação, quais são as conquistas da Revolução Cubana?

40. Quais interesses se escondem atrás de sua pessoa?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lula convida América Latina a criar “doutrina de integração”


O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez o discurso de encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo na noite desta quarta-feira (30), em Havana, Cuba, e reforçou que a América Latina deve levar a proposta de maior integração regional além das reuniões e discursos.


Por Moara Crivelente para o Portal Vermelho 


 
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Entre os dias 28 e 30 de janeiro foi realizada a Conferência Mundial que comemorou o 160º aniversário de nascimento de José Martí.

O ex-presidente Lula iniciou o discurso de encerramento do evento pedindo um minuto de silêncio pelas vítimas da tragédia de Santa Maria (RS). Depois, descontraído, Lula referiu-se a Hugo Chávez, dizendo estar usando uma guayabera vermelha em homenagem ao presidente venezuelano. 

Durante os trabalhos finais da conferência, o ex-presidente propôs a criação de uma “doutrina de integração que sistematize desde o ponto de vista intelectual” tudo o que se tem debatido a respeito. Lula se referia à necessidade de levar a proposta de maior integração regional além dos discursos e reuniões, “pois se trata de um processo que pode mudar a história da América Latina”, afirmou. A rede venezuelana Telesur disponibilizou em sua página, o vídeo integral com o discurso do ex-presidente.

Lula foi descrito por Armando Hart, diretor do Escritório do Programa Martiano e presidente do comitê organizador da conferência, como alguém firmemente comprometido com a democracia, com a redução da pobreza, com o combate à fome e com a erradicação da miséria. Foi também caracterizado pelo diretor de “figura-chave do processo de integração que vive hoje Nossa América”, capaz de representar “o compromisso de José Martí com os pobres da Terra”. 

EUA e América Latina

O ex-presidente fez uma série de reivindicações, em especial aos EUA, para que este país mude a sua política externa para a América Latina, principalmente no tocante ao bloqueio contra Cuba, que só subsiste graças à “teimosia” norte-americana, ao “atrevimento de quem não reconhece que perdeu a batalha”. Ainda afirmou que o país tem “ouvidos moucos” quando se trata dos problemas “da nossa querida América Latina”, mas disse que é otimista, que crê “cegamente” e espera que os EUA tenham um olhar diferente para a região ainda durante o mandato do presidente reeleito Barack Obama.

Lula afirmou que o mundo atual exige o aprofundamento da democracia e precisa continuar avançando nas relações internacionais, o que contribui para os esforços de integração regional que devem ser intensificados. Uma das propostas levantadas pelo petista foi a “revolução na comunicação”; o tema, principalmente aliado à problemática dos monopólios midiáticos, já está em debate através de sucessivas propostas para as Leis de Meios e para a democratização e outras regulamentações da mídia. 

Ainda, disse acreditar que o tratamento midiático dispensado à esquerda, tanto no Brasil quanto a líderes como o presidente boliviano Evo Morales e o venezuelano Hugo Chávez, deve-se à “ira” pelo sucesso das políticas socioeconômicas. “Quem iria imaginar que um índio, com cara de índio, com jeito de índio e com comportamento de índio poderia governar a Bolívia? E dar certo!”, indagou Lula. O ex-presidente contou de reuniões que manteve com Evo, “que queria estatizar todas as empresas brasileiras que atuavam na Bolívia”; disse: “a direita brasileira queria que eu brigasse com o Evo”. Continuou: “eu não consigo entender como é que um metalúrgico de São Bernardo do Campo, do Brasil, pode brigar com um índio da Bolívia? Se fosse com o Bush, se fosse com a Angela Merkel... mas com Evo? Era a última coisa que eu faria no mundo”.

Ao falar, com carinho, do presidente Chávez, desejando-lhe melhoras e pronta recuperação, a audiência da conferência interrompeu-o, levantando-se para aplausos e manifestações de apoio. Lula havia se reunido com Chávez, com o ex-presidente e líder revolucionário Fidel Castro, e depois com o presidente Raúl Castro, o que, segundo ele, poderia justificar seu ligeiro atraso. 

Ele contou que conheceu Fidel Castro em 1980, quando esteve na Nicarágua, no contexto da Revolução Sandinista, e reforçou os seus laços de grande amizade com o líder e a sua admiração pelo povo cubano, principalmente pela defesa da sua dignidade e soberania. Mencionou ainda os cinco cubanos, agentes da inteligência cubana, encarcerados nos EUA desde 1998, sob pesadas acusações de espionagem, lembrando que a situação foi tema de uma de suas visitas ao país norte-americano, ainda governado por George W. Bush. Porém, a América Latina parece não despertar o interesse que deveria ao país mais rico do mundo, tão próximo desta região, que tem “condições de produzir muito mais do que muitos outros países”. Lula ressaltou que os estadunidenses só conseguiram enxergar a América Latina quando apoiaram os golpes militares que assolaram a região, na década de 1960. 

Lembrou ainda que a comemoração pelos 160 anos de nascimento de José Martí combina também com os 60 anos do assalto ao Quartel Moncada, “esse movimento tão importante na história da Revolução Cubana”. A ação foi protagonizada por Fidel Castro, em 1953, para tomar as bases dos quartéis em um dos esforços por derrubar o governo de Fulgêncio Batista. 

Ideais martianos

A conferência segue o rumo proposto por vários líderes latino-americanos para a maior integração regional e compreensão do contexto e dos desafios políticos e socioeconômicos com os quais é necessário lidar em unidade. A América Latina atual já vem traçando um caminho progressista importante, com conquistas fundamentais no âmbito social, político e econômico e ainda conseguiu fazê-lo criando mecanismos de integração regional e com ênfase no respeito à soberania nacional de cada país. Um exemplo é a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), criada em 2011 como alternativa a iniciativas em que os EUA participam (como a Organização dos Estados Americanos). A presidência da Celac é exercida atualmente por Cuba, e a comunidade realizou recentemente um fórum entre os 33 países que a integram. 

A conferência insere-se também na discussão sobre o imperialismo e a luta pela independência política e autodeterminação dos povos e nações. A profunda crise sistêmica pela qual o mundo tem passado deu ainda mais voz ao debate e às reivindicações já institucionalizadas na América do Sul pela superação da interferência imperialista, antidemocrática e militarista que ainda se verifica em outras partes do mundo, sobre tudo na África.

As lutas, que esta nova postura anti-imperialista já colocou em prática em todo o mundo, baseiam-se nos movimentos de trabalhadores e da juventude, nas lutas das mulheres, do campesinato, dos movimentos de resistência às guerras e em movimentos de libertação nacional, como ressaltado por José Reinaldo. Ainda, Frei Betto, que recebeu o prêmio José Martí, da Unesco, lembrou que o líder revolucionário foi um destacado cientista social de sua época, e que suas ideias geopolíticas têm plena vigência atualmente. 

A conferência é patrocinada pela Unesco, através do Projeto José Martí de Solidariedade Mundial, e tem como principal mote a afirmação martiana “pátria é humanidade”. Para Lula, é “muito importante que uma instituição multilateral com o peso da Unesco” dê apoio a este tipo de evento. O ex-presidente ressaltou ainda que há necessidade de maior definição e eficácia do processo de unidade latino-americana. 

O tipo de integração a ser almejado (cultural, econômica, física ou universitária, por exemplo), de acordo com Lula, precisa ser esclarecido. Isso “contribuiria para mudar um pouco a história da nossa querida América Latina. A integração não pode ser apenas um discurso em época de campanha eleitoral ou em reuniões de chefes de Estado”. O importante é que os participantes da conferência saíssem dela como aliados em algo novo que se queira construir, reafirmou o ex-presidente.

Com exclusividade para o Portal Vermelho, o editor José Reinaldo Carvalho fala sobre a participação de Lula na conferência, diretamente de Cuba, para o “Ponto de Vista” da Rádio Vermelho.

 Programa Ponto de Vista com José Reinaldo Carvalho em Cuba


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cúpula das Américas: Equador repudia exclusão de Cuba

O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, afirmou nesta quinta (9) que é inadmissível que Cuba seja excluída da próxima Cúpula das Américas e reiterou que seu país se ausentará se a ilha não for convidada.


"Não há nenhuma razão para que nossa irmã Cuba não assista a esta Cúpula política das Américas", declarou Patiño à Prensa Latina em uma coletiva de imprensa na qual abordou vários temas de atualidade.

O chefe da diplomacia equatoriana ratificou que seu país mantém a posição proposta pelo presidente Rafael Correa durante a reunião dos países da Aliança para os Povos de Nossa América (ALBA), celebrada recentemente em Caracas.

Nesse foro regional, Correa propôs que os Chefes de Estado das nações da ALBA não vão ao encontro colombiano caso que a ilha antilhana seja excluída, ao argumentar que também é parte da geografia regional.

Patiño expôs que esta é uma cúpula política e não da Organização de Estados Americanos (OEA), e expressou sua confiança de que a chanceler de Colômbia, María Angela Holguín, em visita a Havana, tenha conversado sobre o tema com o diplomata cubano, Bruno Rodríguez.

"Esperamos que a decisão da Colômbia seja convidar a Cuba", expressou o ministro equatoriano, que apontou que esta Cúpula é um foro de caráter político em que participam os Chefes de Estados da região.

"A opinião dos Estados Unidos é uma, a nossa é esta, e acho que ela representa a da ampla maioria na América Latina", apontou em alusão a declarações da nação norteña sobre a negativa à participação cubana na Cúpula das Américas.

Fonte: Prensa Latina


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Brasil e Cuba foram eleitos para conselho executivo da Unesco

O Brasil foi eleito nesta quarta-feira para um mandato de quatro anos (2011-2015) no conselho executivo da Unesco, agência da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, informou o Itamaraty em nota. Cuba foi reeleita, segundo informa o site Cubadebate.


O conselho, composto por 58 países, é responsável pelo acompanhamento da execução do programa de trabalho e do orçamento da Unesco e um dos principais órgãos diretores da organização.
"A candidatura brasileira ao conselho executivo reflete a importância atribuída pelo país à organização em seu papel de promotora de uma cultura da paz, do diálogo de civilizações e da diversidade cultural", afirmou a nota.

Segundo o Itamaraty, o país vai defender a relevância do mandato da Unesco "em educação, ciência e cultura, com ênfase na intensificação da cooperação em benefício do mundo em desenvolvimento".

Cuba foi reeleita como membro do conselho executivo da Unesco, durante a 36ª Conferência Geral da entidade, informou o site cubano Cubadebate.
 
Para a embaixadora cubana junto à Unesco, Maria de los Ángeles Flórez, “a decisão é um reconhecimento de nosso país na arena internacional". Ela agregou que a decisão é reconfortante e aumenta o compromisso de Cuba para continuar trabalhando, sobretudo no momento em que os Estados Unidos anunciaram a suspensão de pagamentos à Unesco por ter aceitado a Palestina como membro pleno.

Além de Brasil e Cuba, pela região da América Latina e Caribe foram eleitos o Equador e o México.

Da Redação