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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os caminhos da economia em 2013


Para entender os desafios atuais da economia.

Foto: Claudio Capucho/Vale/AE
Foto: Claudio Capucho/Vale/AE
O ciclo do desenvolvimento consiste nas seguintes etapas:
1. Formação da demanda, através do fortalecimento do mercado interno e das exportações.
2. Fortalecimento da produção interna, para atender à demanda.
O aumento da produção interna gera mais investimentos, que geram mais empregos, que fortalecem mais o mercado interno, completando-se o círculo virtuoso.
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Por enquanto há dificuldades em completar o segundo ciclo, apesar dos avanços da redução dos juros e melhoria do câmbio.
O fato do fator 2 não ter se completado faz com que todo aumento de demanda de produtos comercializáveis (aqueles negociados no mercado internacional) seja atendido pelas importações, gerando uma pressão nas contas correntes brasileiras.
No ano passado, o consumo de industrializados cresceu mais de 8%; a produção caiu 2,8%. No setor químico, o consumo aparente tem crescido 7,1% ao ano desde 2007. E a produção continua no mesmo patamar. Em cinco anos, houve estagnação interna, enquanto o aumento de consumo foi totalmente absorvido pelas importações.
A indústria química fechou 2012 com um déficit de US$ 28,1 bilhões. Em 2013, o buraco será maior. Apenas em janeiro o déficit em conta corrente foi de US$ 11 bilhões.
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As reservas internacionais permitem empurrar algum tempo com a barriga. Mas esse desequilíbrio terá que ser desmontado em algum momento, sob pena de uma crise futura nas contas externas.
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Trata-se de uma equação complexa. Os salários melhoraram, o emprego melhorou e existe mais crédito disponível para consumo. Como a produção interna não atende a essa demanda, há um aumento dos preços de serviço e de moradia e uma pressão nas contas externas.

Este é nó central. Para ser desarmado, exigiria um reajuste muito mais acentuado do câmbio. Mas aí se esbarra na outra perna da equação: os efeitos sobre a inflação e sobre a renda.
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No ano passado, procedeu-se a uma corajosa desvalorização cambial de cerca de 30%. Mas não se resolveu o problema da competitividade interna.
Além disso, o discurso desconexo do Ministro da Fazenda Guido Mantega lançou uma nuvem de imprevisibilidade sobre os agentes econômicos. Somado ao aumento dos preços de alimentos, provocou essa alta da inflação no final do ano passado e início deste ano.
Grandes fabricantes – como Nestlé, Gessy Lever, Procter & Gamble, conseguiram emplacar reajustes médios de 10% nos atacadistas. Esses reajustes concentraram-se no setor alimentício.
Pode-se tratar o problema com antibiótico ou antigripal. O antibiótico seriam medidas duras na área de crédito, com impacto sobre o consumo – e sobre o PIB. Não é o caso ainda.
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Tem-se um desafio imediato, que consiste em desarmar as expectativas inflacionarias, trabalho que vem sendo conduzido pelo discurso mais sólido do presidente do Banco Central Alexandre Tombini. O recuo recente dos preços de alimentos ajudará nessa empreitada.
Para compensar o câmbio apreciado, o governo vem procedendo a uma série de desonerações tributárias. Mas ainda se mostram insuficientes.
De qualquer modo, a estratégia está montada. Os próximos meses indicarão se foi bem sucedida ou exigirá dosagens maiores.

Fonte: Carta Capital

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Fernando Lyra é enterrado com salva de tiros em Recife

O corpo do ex-ministro Fernando Lyra, colunista de CartaCapital, foi enterrado com honras militares nesta sexta-feira (15), em Paulista, região metropolitana do Recife. Após o velório no plenário da Assembleia Legislativa pernambucana, onde ele começou sua carreira política como deputado estadual, o sepultamento ocorreu no Cemitério Morada da Paz.


Fernando Lyra sofria há 20 anos com um problema grave no coração.Segundo o jornalDiário de Pernambuco, a cerimônia de enterro demorou cerca de cinco minutos e houve uma salva de tiros.

Lyra, que era casado e tinha três filhas, morreu de falência múltipla de órgãos na tarde de quinta-feira (14). O recifense tinha 74 anos e estava internado desde 5 de janeiro no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, em estado crítico. Ele sofria há 20 anos de uma insuficiência cardíaca congestiva grave.

O corpo do ex-ministro chegou ao Aeroporto Internacional de Recife por volta de 11h da manhã de sexta, de onde seguiu para a Assembleia. No local, familiares, amigos, políticos e o público puderam se despedir.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o prefeito de Recife, Geraldo Julio (PSB), estiveram na Assembléia. Ambos declararam luto oficial de três dias no estado e na prefeitura, respectivamente.

Repercussão

A morte de Lyra repercutiu entre importantes autoridades brasileiras. A presidenta Dilma Rousseff afirmou que a democracia perdeu “um de seus mais expressivos defensores”. A mandatária ressaltou ainda o papel do ex-ministro da Justiça em colocar fim à censura oficial do governo ditatorial.

O ex-presidente Lula, conterrâneo de Lyra, também se pronunciou. Ele destacou a “luta de forma incansável para o avanço da democracia” de Lyra, que foi deputado federal por oito mandatos consecutivos (191-1979). “Com sua morte, o Brasil perde uma importante referência política.”

Eduardo Campos destacou que a trajetória política do ex-ministro “engrandeceu o Brasil”. “Ele foi um dos líderes da luta contra a ditadura militar, como deputado federal integrante do grupo autêntico do MDB e como um dos coordenadores de campanhas como a das Diretas Já.” Em 2006, a campanha do presidente do PSB ao governo de Pernambuco foi articulada por Lyra, que empalcou o irmão João Lyra Neto como vice-governador.

Trajetória

Fernando Soares Lyra nasceu em 1938, em Recife, Pernambuco. Antes de entrar para a vida política formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, em Caruaru.

Foi deputado estadual em Pernambuco pelo MDB entre 1967 e 1971, até que chegou à Brasília, onde teve intensa e longa carreira.

Voz exponencial contra a ditadura, Lyra pertenceu ao grupo dos “autênticos do MDB”, partido que fazia oposição ao Arena dos militares. “Quando conquistei meu primeiro mandato, havia uma ditadura no País que tinha a ­pretensão de parecer uma democracia e criou um partido de oposição. Entrei nele e, apesar de todas as dificuldades, da ameaça que pesava sobre nossas cabeças, da cassação de mandatos, de prisões, torturas e assassinatos de parlamentares, o MDB se transformou em importante espaço de luta democrática. Hoje, com a democracia instalada, os momentos gloriosos tornam-se raros”, disse em recente entrevista a CartaCapital.

Na Câmara dos Deputados, ficou por 28 anos. Foi vice-líder do MDB nos anos 70 e 80, líder do bloco PSB/PMN entre 1995 e 1996 e líder do PSB entre 1995 e 1997. Ocupou ainda os postos de primeiro-secretário (1983-1984) e segundo vice-presidente (1993-1994).

Participou de importantes comissões permanentes, como a de Constituição e Justiça, Direitos Humanos, Finanças e Tributação, Relações Exteriores e de Defesa Nacional e Trabalho, Administração e Serviço Público.

Além disso, entre 1987 e 1991, integrou a Constituinte, participando da Comissão de Sistematização, da Subcomissão do Poder Executivo e da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo. Pela atuação no Congresso, recebeu a medalha de Mérito Legislativo na Câmara dos Deputados em 1985.

Foi deputado pelo MDB (1971-1979), PMDB (1979-1991), PDT (1992-1995) e PSB (1995-1999).

Neste período, tirou três licenças da Câmara para se tratar de problemas de saúde em 1978, 1988 e 1995.

Tancredo Neves

Durante sua trajetória política, Lyra se aproximou de Tancredo Neves, de quem foi um dos coordenadores políticos na campanha vitoriosa do ex-governador de Minas Gerais à Presidência da República em 1985. “O maior político que conheci foi sem dúvida Tancredo Neves. Mais do que ninguém, ele soube fazer a hora na história do Brasil. Personificou a transição democrática, mas o destino não quis que fosse o seu executor”, disse a CartaCapital.

Com a morte Tancredo, o vice-presidente José Sarney assumiu o cargo. E nomeou Lyra como seu ministro da Justiça, cargo que ocupou entre março de 1985 e fevereiro de 1986.

Quatro anos depois, em 1989, o recifense tentou alçar voo próprio ao Planalto. Já no PDT, foi candidato à vice-presidente na chapa liderada por Leonel Brizola. Mas não chegou ao segundo turno das eleições, disputado entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva. Voltou, então, à Câmara.

O último cargo público ocupado por ele foi o de presidente da Fundação Joaquim Nabuco, de 2003 a 2011, ligado ao Ministério da Educação.

Fonte: CartaCapital

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Staub morde a maçã


A gradiente, empresa brasileira fundada nos anos 1960 que já foi forte nas vendas de eletroeletrônicos, usou uma estratégia controversa para retornar ao mercado em 2012. Após estudos realizados pela equipe responsável pela sua reinserção nas prateleiras mostrarem que a lembrança de seu nome continuava viva na cabeça dos brasileiros, sua aposta no aquecido mercado de smartphones veio atrelada ao conceito de uma gigante concorrente, a norte americana Apple. A junção de internet com telefone deu origem ao Gradiente iPhone, marca registrada pela brasileira no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) em 2008.

 A vitória trouxe o empresário de volta ao noticiário sem que o assunto fosse a falência da companhia. Ilustração: Regina Assis
A vitória trouxe o empresário de volta ao noticiário sem que o assunto fosse a falência da companhia. Ilustração: Regina Assis

O fato não impede que a Apple trabalhe com a marca iPhone no Brasil, mas permite que a Gradiente entre com um processo para reivindicar seu direito de exclusividade. A fabricante brasileira ainda não informou quais serão seus próximos passos, mas há muito tempo ela não tinha presença tão marcante na mídia. A companhia conquistou manchetes no Brasil e espaço no noticiário internacional.
Leia também:

Foram as primeiras reportagens em muitos anos sem foco na delicada situação financeira enfrentada desde 2006. Problemas causados pelo aumento do endividamento após a compra da Philco em 2005, num momento de investida agressiva de multinacionais no mercado brasileiro, entre outros motivos, fizeram as máquinas da Gradiente parar completamente em 2007. A partir daí, a empresa esteve envolvida em um extenso processo de negociação com fornecedores e investidores em busca de uma recuperação, até relançar seus produtos em 2012. Em seu site estão à venda tablets, tevês, aparelhos blu-ray, celulares, além da linha colorida Meu Primeiro Gradiente.
A empresa ainda não tinha usado o seu direito sobre o nome iPhone. Eugênio Staub, fundador da Gradiente e presidente do conselho de administração da Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD), responsável pela marca, disse, no entanto, que esperava ter sido procurado pela Apple para negociar e que está aberto ao diálogo. “Houve, digamos assim, uma falta de respeito com o nosso registro.” A companhia admite a possibilidade de entrar com processo contra a Apple por uso indevido da sua marca no Brasil e pedir -indenização desde setembro de 2008, quando o iPhone foi lançado no País.
O pedido da Apple para registrar a marca iPhone, feito em 2006, foi rejeitado pelo Inpi, e a decisão foi publicada na quarta-feira 13 (leia mais AQUI). Tudo indica que uma negociação será inevitável. Não será a primeira vez que a norte-americana enfrentará esse tipo de embate. Em julho de 2012, a Apple pagou 60 milhões de dólares a uma empresa chinesa para encerrar uma disputa em relação à marca iPad na China que atrapalhava o lançamento do produto no país. A dona do nome iPad na China, Proview Technology, chegou a pedir 2 bilhões de dólares pelo direito. Em 2007, o imbróglio foi com a empresa norte-americana de tecnologia Cisco, detentora inicial da marca iPhone nos Estados Unidos, e um acordo permitiu às duas empresas utilizarem o nome, sem a divulgação de valores envolvidos no acerto.
Não está claro se a intenção da Gradiente é conseguir algum benefício financeiro, apesar de haver uma diferença gritante de desempenho econômico das duas empresas. De um lado temos uma companhia nacional de 150 milhões de reais em busca de recolocação no mercado e, do outro, uma das líderes mundiais do segmento, com valor de mercado de 500 bilhões de dólares, até há pouco a mais valiosa do mundo.
Em vídeo colocado na internet, a Gradiente explica que o pedido de registro foi realizado em 2000, época em que já se vislumbrava o uso conjunto da internet e do telefone celular. A Apple só viria a lançar o seu iPhone em 2007. O processo de autorização do direito sobre a marca, normalmente concluído em dois anos, saiu apenas em 2008 por causa da oposição apresentada pela Telesp Celular em 2002.
Na hora de explicar as diferenças entre um produto e outro, a Gradiente cita que o sistema operacional de seu aparelho é o Android, enquanto o do concorrente é o iOS. O iPhone da Apple tem “mais velocidade, maior definição de tela, além de mais recursos”, informa o vídeo institucional. Já o Gradiente “é um smartphone muito bom, com recursos mais simples, e tem um diferencial que os brasileiros adoram: aceita dois chips”. Fica claro o direcionamento dos produtos a públicos diferentes. Segundo Fernando Belfort, analista da Frost & Sullivan, o aparelho da Gradiente pode ganhar espaço como o primeiro smartphone dos brasileiros. “Ele tem preço -competitivo que pode atrair o consumidor que busca seu primeiro smartphone.”
A Apple tem apenas 0,4% do mercado de smartphones no Brasil, segundo estudo da Kantar Worldpanel ComTech (KWP), o que pode ser explicado pela pouca quantidade de modelos e preços mais elevados (a partir de 1,4 mil reais o modelo sem plano de operadora de celular). De acordo com a mesma pesquisa, o sistema Android, escolhido pela Gradiente, possui 57% do mercado brasileiro. O primeiro modelo do Gradiente iPhone foi batizado de Neo One, é importado da China e está à venda por 599 reais desde dezembro de 2012.
Um acordo de 400 milhões de reais de pagamento a credores privados em 2012 garantiu a volta da Gradiente ao mercado. A empresa passou por uma complexa reestruturação societária colocada em prática ao longo dos últimos dois anos. Uma troca de nomes separou a marca Gradiente da empresa deficitária, que em 2010 passou a se chamar IGB Eletrônica. Os ativos da IGB Eletrônica, por sua vez, foram arrendados pela CBTD, empresa criada em 2011 para retomar os produtos Gradiente. O valor pago pela IGB de aluguel à CBTD será usado para pagar as dívidas da empresa.
A maior parte do capital da CBTD, 60%, pertence ao Fundo de Investimento em Participações (FIP) Enseada, que tem como cotistas a fabricante multinacional de eletrônicos Jabil, a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e os fundos de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras, e Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal. O FIP injetou 68 milhões de reais. Os outros 40% pertencem à Holding dos Acionistas da Gradiente (HAG) criada para abrigar os acionistas da IGB diante de troca de ações e um pagamento adicional

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/economia/staub-morde-a-maca-2/

A distribuição da renda dez anos depois


Após dez anos de governos do PT, pode-se detectar uma importante melhora no perfil da distribuição da renda no País. Não vivemos em nenhum paraíso. Muito longe disso. Mas, em contrapartida, a situação é muito melhor que a do final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Fonte: SCN/IBGE
Fonte: SCN/IBGE

O índice de Gini foi reduzido. Este índice mede a distribuição da renda e varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade e quanto mais próximo de zero, maior a igualdade. O Gini brasileiro caiu de 0,585, em 1995, para 0,501, em 2011. Contudo, este é um número que ainda está distante dos índices de países tais como França (0,308) ou Suécia (0,244).
No início dos anos 1960, o Brasil possuía um Gini inferior a 0,5. Entretanto, os governos militares (1964-1985) adotaram um modelo de crescimento econômico com concentração de renda. O Gini subiu. Em meados dos anos 1990, com a queda da inflação, o índice de Gini sofreu uma redução.
O índice de Gini é calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Mais de 96% das rendas declaradas na Pnad correspondem às remunerações do trabalho e às transferências públicas. Sendo assim, a desigualdade medida pelo Gini/Pnad não é adequada para revelar a distribuição da renda entre trabalhadores, de um lado, e empresários, banqueiros, latifundiários, proprietários de imóveis alugados e proprietários de títulos públicos e privados, de outro. O índice de Gini não revela a participação das rendas do trabalho e do capital como proporção do Produto Interno Bruto (o PIB, que é o valor de todos os serviços e bens que são produzidos).
Além do Gini, é preciso analisar a distribuição funcional da renda: capital versus trabalho. O processo de desconcentração da renda que está em curso no Brasil vai além da redução do índice de Gini. Ocorre, principalmente, devido ao aumento da participação dos salários como proporção do PIB.
Fonte: IBGE
Fonte: IBGE

Houve uma trajetória de queda da razão salários/PIB de 1995 até 2003, quando caiu a um piso de 46,23% (incluindo as contribuições sociais dos trabalhadores e excluindo a remuneração de autônomos). A partir de então, houve uma inflexão na trajetória, que se tornou ascendente. O último dado divulgado pelo IBGE é de 2009. Neste ano, a participação dos salários alcançou 51,4% do PIB superando a melhor marca do período 1995-2003, que foi 49,16%.
São variadas as causas do movimento positivo de aumento da participação dos salários no PIB. O rendimento médio do trabalhador teve um aumento real significativo entre 2003 e 2012.  Houve um vigoroso aumento real do salário mínimo nos últimos dez anos. E houve redução dos juros pagos pelo governo aos proprietários de títulos públicos e redução dos juros cobrados das famílias pelos bancos.
O índice de Gini/Pnad e a participação percentual das remunerações dos trabalhadores no PIB são medidas complementares. Ambas representam dimensões da desigualdade e do desenvolvimento socioeconômico do país. As duas medidas mostram que o desenvolvimento socioeconômico brasileiro está em trajetória benigna desde 2003-4. Elas mostram também que no período anterior (1995-2003) as rendas do trabalho perdiam espaço no PIB para as rendas do capital.
A recuperação do poder de compra dos salários foi o principal pilar da constituição de um imenso mercado de consumo de massas que foi constituído no Brasil nos últimos anos. Foi a formação desse mercado que possibilitou ao Brasil sair apenas com pequenos arranhões da crise de 2008-9. O desenvolvimento econômico e social brasileiro depende, portanto, do aprofundamento do processo distributivo em curso. Não existirá desenvolvimento sem desconcentração de renda.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dilma Rousseff: Um País justo e desenvolvido


O Brasil de 2030 estará entre os países mais desenvolvidos e mais democráticos do mundo. Será mais justo e menos desigual, como nunca antes em sua história. 


Na última década, adotamos um modelo de desenvolvimento baseado no crescimento, na estabilidade e na inclusão social. Hoje somos a sexta economia mundial e estamos nos tornando um País de classe média, oferecendo oportunidades para todos os brasileiros. O Brasil de 2030 será a tradução de todo esse esforço que temos feito.

Não haverá pessoas vivendo em extrema pobreza no Brasil de 2030. Desde 2003 perseguimos radicalmente esse objetivo. Por meio do crescimento consistente da economia, da geração de empregos e de instrumentos efetivos de distribuição de renda, estamos chegando lá. Começamos com o Bolsa Família, no governo Lula, que abriu caminho para o Brasil sem Miséria. Elevamos 40 milhões de pessoas à classe média e continuamos, a cada dia, superando metas e desafios para garantir a inclusão dos que ainda vivem na extrema pobreza.

O Brasil de 2030 será um País que cuida de todas as suas crianças. Para isso, demos um grande passo com a criação do Brasil Carinhoso, que complementa a renda das famílias que tenham crianças até 6 anos de idade e uma renda menor que 70 reais per capita.

O Brasil de 2030 será também o País que garante acesso à creche, à educação em tempo integral, à formação técnica e superior a todos os brasileiros. Certamente, farão parte desse futuro os estudantes brasileiros que, por meio do programa Ciência sem Fronteiras, terão ampliado seus conhecimentos nas melhores universidades do mundo.

No Brasil de 2030, qualquer cidadão terá acesso a bons serviços e a um atendimento ágil na rede pública de saúde. Com mais recursos e investimentos numa gestão eficiente, estamos aprimorando e fortalecendo o SUS, um dos maiores sistemas públicos de atendimento universalizado do mundo.

Daqui a 18 anos, o Brasil será um País inovador e tecnologicamente desenvolvido, e também o País do pleno emprego e do empreendedorismo.

Manterá o ritmo de sua evolução nesta primeira década do século, quando foram criados mais de 19 milhões de empregos e formalizados mais de 2 milhões de microempreendedores.

Conseguimos antever também um Brasil mais moderno e competitivo na área de infraestrutura, na qual estamos investindo fortemente. O Plano de Investimento em Logística nas áreas de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos dará ao Brasil uma infraestrutura compatível com o seu tamanho e com as necessidades de sua população. Sem abrir mão de seu papel de planejamento e fiscalização, o Estado continuará, em parceria com a iniciativa privada, executando as medidas necessárias para sustentar o crescimento da economia, do emprego e da renda de todos os brasileiros.

O Brasil de 2030 estará colhendo os frutos da opção pela sustentabilidade. Crescer, incluir, proteger e preservar continuará sendo a base de nosso modelo de desenvolvimento. Ainda seremos um País com grandes reservas naturais, que explora racionalmente a sua biodiversidade e tem a matriz energética mais limpa e eficiente do mundo. Ao mesmo tempo, nas próximas décadas, o Brasil alimentará o mundo como maior produtor agropecuário do planeta.

Mantido o ritmo do nosso crescimento, a pujança da nossa democracia e a constante evolução social e econômica do nosso povo - e não vejo motivo para que essa trajetória venha a ser interrompida -, tenho certeza de que no Brasil de 2030 viverão os filhos da igualdade, da inclusão e da justiça social. Uma geração preparada para assumir as rédeas do seu País e viver os benefícios de uma era de prosperidade.

É assim que vejo o País do meu neto. Olho para o Gabriel com um misto natural de curiosidade e preocupação, como acontece com todos os avós. E toda vez que tento imaginá-lo com 20 anos, iniciando a sua vida adulta, começando a lutar para construir sua história pessoal, sou otimista. Eu o vejo, como a milhões de jovens de sua geração, vivendo bem em um Brasil feliz, generoso e justo com todos os seus cidadãos e cidadãs. Um Brasil orgulhoso de ser o que é: um grande País.

Por Dilma Rousseff,
Artigo publicado originalmente na revista Carta Capital

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Google vai divulgar dados de usuários; aprenda a se proteger Google vai divulgar dados de usuários; aprenda a se proteger

A nova política de privacidade do Google entra em vigor em todo o mundo em 1º de março, mas já desperta polêmica entre os internautas. No final de janeiro, a companhia anunciou que iria juntar os dados coletados dos usuários em todos os serviços que oferece, entre eles email, redes sociais e YouTube, para criar uma experiência “simples e intuitiva”.


A ação visa eliminar os obstáculos que a gigante da internet enfrenta para usar informações de um usuário do Gmail para o YouTube, por exemplo. Segundo a empresa, suas mais de 70 políticas diferentes, ou termos de uso assinados pelos internautas, vão ser compactadas em uma principal e 12 outras.

A mudança deve ajudar os anunciantes a encontrarem potenciais clientes e a personalizar as buscas dos usuários, seguindo, por exemplo, informações enviadas em emails.

A Microsoft lançou anúncios dizendo que seus serviços preservam os usuários e reguladores da União Europeia protestaram contra a política, além de pedirem mais tempo antes de sua aplicação para analisar se a privacidade dos usuários estaria devidamente protegida.

O Centro para Democracia Digital dos Estados Unidos também apresentou uma reclamação a Federal Trade Commission (FTC), na qual solicita que o Google seja processado para eliminar a nova politica de privacidade e multado. Caso isso ocorra, a FTC pode impor multas de mais de 16 mil dólares por dia para cada violação.

Mas ainda há tempo para aqueles que quiserem manter seus passos na internet em segredo –antes que o Google construa um perfil permanente que pode incluir informações pessoais como idade, sexo, localização e até mesmo sexualidade – antes da mudança.

Até 29 de fevereiro, é possível apagar o histórico de navegação, que vai limitar a extensão dos tópicos acompanhados pelo Google, que pode incluir os seus “segredos virtuais”.

Veja os três passos abaixo:

1 – Acesse a homepage do Google e faça o login em sua conta de email. Após isso, clique em cima do login na home para habilitar um menu. Entre na opção “Configurações de Conta”.

2 – Encontre a sessão “Serviços” e o link “Veja, ative ou desative o Histórico da web”. Clique em “Acessar Histórico da Web”.

3 – Na próxima página, clique na aba “Remover todo o histórico da Web”.

Desabilitar o histórico não evita que o Google use os dados para fins internos, mas a empresa irá torna-los anônimo em 18 meses. Além disso, a busca personalizada é desativada.

Mesmo que o usuário não esteja logado em seu email, o Google pode traçar o seu perfil pelo IP do computador. Logo, a forma mais segura de limpar um histórico pessoal é logando-se a sua conta.

Publicado na Carta Capital

sábado, 17 de dezembro de 2011

Jorge Furtado: A Privataria Tucana

a_pirataria_tucana


Terminei de ler o extraordinário trabalho jornalístico de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, (Geração Editorial), o livro mais importante do ano. Para quem acompanha a vida política do país através de alguns blogs e da revista Carta Capital, não há grandes novidades além dos documentos que comprovam o que já se sabia: a privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república. O grande mérito do livro de Amaury é a síntese que faz da rapinagem, e a base factual de suas afirmações amparadas em documentos, todos públicos. Como bom jornalista, Amaury economiza nos adjetivos e esbanja conhecimento sobre o seu tema: o mundo dos crimes financeiros.

A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.

Protagonistas

Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos 5 milhões de dólares), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.

A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, há propinas comprovadas de 20 milhões de dólares, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.

Alguns destaques do livro:

As imagens do Citco Building, em Tortola, Ilhas Virgens britânicas, gavetas recheadas de empresas offshore, "a grande lavanderia", pág. 43.
Sobre a pechincha da venda da Vale, na pág. 70.
Sobre o grande sucesso "No limite da irresponsabilidade", na voz de Ricardo Sérgio., pág. 73.
Sobre o MTB Bank e sua turma de correntistas, empresários, traficantes e políticos de várias tendências, e a pizza gigante de dois sabores (meio petista, meio tucana) da CPI do Banestado, pág. 75.
Como a privatização tucana fez o governo (com o seu, meu dinheiro), pagar aos compradores do patrimônio público, pág.171.
A divertida sopa-de-nomes das empresas offshore, massarocas intencionais para despistar a polícia do dinheiro do crime, pág. 188.
Os grandes personagens do sub-mundo da política, arapongas que trabalham a quem pague mais, pág. 245.
Um perfeito resumo do que realmente aconteceu na noite dos aloprados, no Hotel Ibis, em São Paulo, pág. 282.
Um retrato completo do modus operandi da mídia pró-serra na eleição de 2010, a partir da pág. 295.
Outro resumo perfeito, do caso Lunus, quando a arapongagem serrista detonou a candidatura de Roseana Sarney, pág. 314.
Sobre para-jornalistas que acabam entregando suas fontes e sobre fontes que confiam em para-jornalistas, pág. 325.

Silêncio da mídia
O índice remissivo e a quantidade de dados que o livro de Amaury apresenta já o tornariam uma peça obrigatória na biblioteca de quem pretende entender o Brasil. Mas,A Privataria Tucana também lança um constrangedor holofote sobre a grande imprensa brasileira, gritamente pró-Serra, que é cúmplice, ao menos por omissão, da roubalheira que tornou o país mais pobre e alguns ricos ainda mais ricos.

Imagine você o que esta imprensa – que gasta dúzias de manchetes e longos programas de debate na televisão numa tapioca de 8 reais ou em calúnias proferidas por criminosos conhecidos - diria se um filho de Lula, Dilma ou qualquer petista fosse réu em processo criminal de quebra de sigilo bancário. Segundo o livro de Amaury (e os documentos que ele traz) a filha de José Serra é ré em processo criminal por quebra de sigilo bancário. (p. 278)

O ensurdecedor silêncio dos grandes jornais e programas jornalísticos sobre o livro “A privataria tucana” é um daqueles momentos que nos faz sentir vergonha pelo outro. A imprensa, que não perde a chance - com razão - de exigir liberdade para informar, emudece quando a verdade contraria seus interesses empresariais e/ou o bom humor de seus grandes anunciantes. Onde estão as manchetes escandalosas, as charges de humor duvidoso, os editoriais inflamados sobre a moralidade pública?

Afinal, cadê o moralista que estava aqui?

Fonte: Carta Maior / (*) Publicado originalmente no Blog de Jorge Furtado