segunda-feira, 4 de março de 2013

CTCD realiza I Encontro de Inclusão Digital, Cultura e Comunidade

Nos dias 20, 21 e 22 de março de 2013, será realizado, no Centro Tecnológico de Cultura Digital, no Nascedouro de Peixinhos, o I Encontro de Inclusão Digital, Cultura e Comunidade, uma reunião de pesquisadores e profissionais na área de inclusão digital à comunidade de Peixinhos e arredores com o objetivo de trazer palestras, discussões e experiências que abranjam o que tem se chamado de “inclusão digital”.

O que significa esse termo, porque ele tem sido tão discutido, porque precisa ser trazido à discussão na comunidade, quais as ações de inclusão digital vem sendo realizadas e como me posicionar diante delas.

Os principais convidados do evento são a Profª Drª Auxiliadora Padilha, que, desde 2010, coordena o programa de extensão Proi-Digit@l, que realiza oficinas de criação narrativa envolvendo áudio, animação, vídeo, blog e Twitter; a Doutoranda em Educação Flávia Santana, que pesquisa sobre políticas públicas e inclusão digital; e a Mestranda em Educação Matemática e Tecnológica Márcia Nogueira, que pesquisa as relações entre apropriação tecnológica e produção audiovisual com jovens de periferia. O evento caminha por três trilhas de debate: O que é incluir? Porque preciso me incluir? Como posso me incluir? Estas trilhas funcionam como pontos de partida para se entender a relevância de se incluir digitalmente, considerando a particularidade de cada região e até mesmo de cada sujeito nesse processo.

A Coordenadora do Centro Tecnológico de Cultura Digital – CTCD, Selma Vasconcelos, afirma que esse evento é de extrema importância para o centro, já que ele tem a inclusão digital como um de suas principais frentes de trabalho. Além de abrigar um telecentro do projeto GESAC em que os moradores de Peixinhos tem acesso regular à internet, o centro realiza frequentemente cursos de formação técnica, como o Multiplicando Peixinhos – de informática básica –, o Curso de Equipamentos Musicais Reciclados e Comunicação Visual, que permitem aos jovens e adultos da comunidade terem os primeiros contatos ou aprofundarem conhecimentos nas tecnologias digitais para produção de blogs e materiais visuais e sonoros. A proposta de sediar um evento deste tipo apareceu pelo fato do centro investir bastante nestas atividades, sendo de extrema relevância conhecer outras experiências que atuam nesta mesma direção e também saber como elas estão sendo pensadas dentro da academia e em outros espaços.

Serviço

Evento – I Encontro de Inclusão Digital, Cultura e Comunidade
Datas – 20, 21 e 22 de março de 2013
Horário – 14h às 17h
Local – Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos
Realização - Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos

Fonte: Site da Sectma

Bruno Peron: Meios e cultura digital

As culturas digitais surgiram a partir de experiências, práticas e usos através dos meios eletrônicos de comunicação, que manifestam importâncias relativas em função dos interesses de seus consumidores-usuários e da tecnologia destes meios.

Por Bruno Peron*, em seu blog

Os video-games já não oferecem só entretenimento a poucos jogadores por animações gráficas, mas trazem também espaço em memória física para armazenar arquivos e sistemas de acesso à Internet que permitem jogar em tempo real com pessoas de outros países.

Há portais virtuais que oferecem acesso a centenas de estações de rádio do mundo todo sem que se tenha que ligar aparatos convencionais de som. Ouve-se a rádio pelo computador. A indústria editorial também modifica-se com o comércio de livros digitais, como o Kindle da Amazon.

Hoje tudo passa por um monitor. A comodidade dos consumidores-usuários dos meios eletrônicos de comunicação inibe-os até de folhear dicionários impressos porque os virtuais são mais ágeis (para os que têm prática de digitação e navegação) e dispõem de acepções múltiplas. Os tradutores virtuais têm reduzido as distâncias linguísticas entre pessoas que não se entendiam por não conhecer nenhuma das línguas europeias hegemônicas ou não mais que uma delas (inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, português, etc.).

Contudo, as culturas digitais ainda se adaptam à tendência de fazermos tudo pela Internet. Já se compra em supermercados virtuais. A situação se complicará se, nas próximas eleições, pudermos votar pela Internet em substituição às exemplares urnas eletrônicas brasileiras, que evadem tanta dor de cabeça a contraexemplo das últimas eleições presidenciais mexicanas.

Fazer política pela Internet tem duas facetas. A prática é proveitosa na medida em que este meio tem servido para formar foros de discussão, espalhar denúncias, discutir promessas de campanha e dar recomendações a outros internautas. A notícia espalha-se rapidamente pela Internet, cujo meio transformou-se numa praça pública onde as pessoas encontram-se e interagem. Estes são alguns dos argumentos que encontro para não demonizar os meios como causadores dos males atuais da humanidade. Quanta ignorância podemos suprimir com tão pouco esforço!

No entanto, há grupos e instituições que discutem formas de censurar e controlar conteúdos e práticas na Internet. O mais enérgico deles é o de direitos de propriedade intelectual. Os opositores da pirataria brigam contra a queda abrupta da venda de discos compactos que se explica pelas formas digitais de consumir música (YouTube) e baixar arquivos (Torrent). Cantores têm tido que vender seu trabalho com mais criatividade para não fenecer como aconteceu com as indústrias fonográficas que não se adaptaram. Eles têm investido em eventos (shows) e usos publicitários (aparições de cantores famosos para oferta de produtos).

A criatividade passa a ser uma necessidade não só dos produtores, mas também dos distribuidores e estrategistas de consumo das culturas digitais.

O tema das culturas digitais remete, portanto, às novas dimensões da militância política e ao deslocamento das práticas criativas à plataforma digital através de redes sociais, comércio eletrônico, mecanismos de busca e labores virtuais. Os acessórios que dão acesso à Internet, que hoje vai desde celulares a tablets, estão prestes a tornar-se roupas íntimas da humanidade. É aceitável que se mostre o corpo, mas seria um escândalo tirar a cueca ou a calcinha.

As formas indiretas de interagir com outros consumidores-usuários da Internet não são as únicas que sofrem modificação porque os usos da criatividade demandam novos hábitos e regularidades no cumprimento das necessidades quase básicas de imersão na Internet.

Fica cada vez mais difícil diferenciar hábitos-raízes de hábitos enraizados, visto que os meios de comunicação tendem a selecionar certas expressões culturais (muitas delas estranhas ao nosso vocabulário) para que todos as celebremos como nossas sem sabermos se o são ou não.

* Bruno Peron é mestre em Estudos Latino-americanos pela Facultad de Filosofía y Letras (FFyL), na Universidad Nacional Autónoma de México (Unam)

domingo, 3 de março de 2013

Dragon atraca na Estação Espacial


Cápsula leva à ISS uma carga de 544 quilos, incluindo equipamentos destinados a 160 experiências científicas

Publicado em 03/03/2013, às 17h45

Da AFP

Em sua volta à Terra, a Dragon trará cerca de uma tonelada de carga / Foto: Nasa/AFP

Em sua volta à Terra, a Dragon trará cerca de uma tonelada de carga

Foto: Nasa/AFP

A cápsula Dragon, da companhia americana SpaceX, atracou neste domingo na Estação Espacial Internacional (ISS) transportando alimentos, materiais científicos e outros equipamentos. A cápsula foi agarrada pelo braço mecânico da ISS, operado por dois membros da Expedição 34 da Nasa, o comandante Kevin Ford e o engenheiro Tom Marshburn. A operação ocorreu às 10h31 GMT (07h31 do Recife), meia hora antes do previsto.

A Dragon se uniu ao módulo americano Harmony às 13h56 GMT (10h56), segundo a Nasa. A atracação estava prevista inicialmente para a manhã de sábado, mas uma falha nos motores da Dragon após entrar em órbita, na sexta-feira, provocou o adiamento. O problema foi resolvido horas depois e os responsáveis pela missão afirmam que o sistema de propulsão da nave funciona plenamente. 

A Dragon leva à ISS uma carga de 544 quilos, incluindo equipamentos destinados a 160 experiências científicas. "Estes experimentos trazem a promessa de descobertas científicas que beneficiarão a Terra e incrementarão fortemente nossa compreensão de como os humanos se adaptam ao espaço", disse William Gerstenmaier, responsável da Nasa.

Segundo a Nasa, as pesquisas "melhorarão os esforços destinados à produção de alimentos no espaço, um componente crucial de missões de longa duração, como para Marte ou outros pontos do sistema solar".

Em sua volta à Terra, a Dragon trará cerca de uma tonelada de carga, incluindo material de pesquisa médica e equipamentos utilizados na Estação. Esta é a terceira missão comercial da empresa SpaceX (Space Exploration Technologies) para a ISS. A Dragon foi a primeira nave espacial privada a chegar à Estação Espacial, em maio de 2012.

A Nasa aposta na SpaceX e em outras companhias privadas para substituir seu programa de ônibus espaciais, encerrado em julho de 2011, visando abastecer a ISS e transportar astronautas, a partir de 2015.

ONU: Brasil lidera esforço mundial de conservação ambiental



À frente do secretariado executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), há um ano, o brasileiro Bráulio Dias reuniu elementos suficientes para assegurar que o Brasil é o país que mais avançou no esforço pela conservação ambiental. Nos últimos meses, Dias tem se dedicado a promover a preservação da biodiversidade no planeta, tentando estimular autoridades de todos os continentes a adotar um novo modelo de desenvolvimento que incorpore a sustentabilidade.


O biólogo ainda não tem um cálculo preciso sobre o quanto se gasta atualmente com a conservação ambiental. Os países se comprometeram a levantar os investimentos feitos por vários setores e instâncias de governo, mas não há prazo para conclusão. Dias aposta que o orçamento ideal para garantir a sobrevivência dos ecossistemas e estancar desmatamento e perda de espécies exóticas ainda está distante de ser cumprido.

Atualmente, o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) gasta US$ 2 bilhões anualmente em ações de conservação ambiental e deve concluir, até o final do ano, a nova rodada de negociação com doadores para o próximo período de 4 anos. As nações desenvolvidas também se comprometeram a dobrar seus orçamentos para a área até 2015, considerando tanto investimentos internos como acordos bilaterais e doações. 

O secretário executivo da CDB afirma que muitas ações dependem menos de recursos financeiros e de mais vontade política e garante que, se os países adotarem metas de desenvolvimento baseadas em padrões sustentáveis, a conta poderia ser significativamente reduzida.

Para Bráulio Dias, a batalha pela conservação ambiental não pode se concentrar mais apenas nas mãos dos órgãos ambientais, mas tem que incluir todos os setores econômicos e a sociedade. Apesar de reconhecer o crescimento do nível de consciência da população sobre o problema, o biólogo afirma que essa responsabilidade ainda é mais teórica do que prática e as pessoas ainda não se veem como parte do problema.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por Bráulio Dias à Agência Brasil:

Agência Brasil: Qual o principal gargalo no esforço para que as nações se comprometam politicamente e economicamente com a conservação ambiental?
Bráulio Dias: Um é a questão financeira para apoiar a implementação da conservação ambiental no mundo e outro é o engajamento dos diversos setores. O avanço da conservação da biodiversidade não depende apenas da área ambiental de cada país. A gente precisa envolver o setor agrícola, de energia, pesca, floresta, transporte, minas e energia e todos os outros que utilizam a biodiversidade. Cada um tem de fazer sua parte.

No esforço pela preservação ambiental, como está o Brasil?
O Brasil é visto como o número 1 em termos de biodiversidade mundial e todo o mundo fica de olho, esperando a liderança brasileira. O país tem mostrado capacidade de avançar nesta agenda ambiental: conseguiu reduzir desmatamento. O Brasil é um dos poucos países que tem, em lei, exigência de compensação ambiental para investir em áreas protegidas quando houver impacto de algum empreendimento. 

Que negociações ambientais estão sendo realizadas hoje?
Na área de biodiversidade, conseguimos, em Nagoia, aprovar 20 metas globais. Muitas delas quantitativas. Na última Conferência das Partes, que ocorreu na Índia, em 2012, conseguimos aprovar uma série de indicadores de biodiversidade. O objetivo é que toda meta tenha, pelo menos, um indicador. Temos acordo dos países sobre vários indicadores, mas algumas metas ainda precisam de mais discussão e mais testes até que haja a aceitação de todos.

Quais são os custos para a conservação da biodiversidade?
O custo para a conservação da biodiversidade depende do contexto. Apenas para a conservação de ecossistemas, estima-se que seriam necessários recursos da ordem de US$ 500 bilhões até 2020. O orçamento para reduzir desmatamento, recuperar áreas degradadas, controlar espécies exóticas invasoras também seria significativo. Algumas metas não exigiriam tanto recurso financeiro, mas vontade política. Um exemplo é a reforma de instrumentos econômicos para retirar incentivos perversos e ampliar incentivos positivos. 

Qual a importância do comprometimento financeiro dos países em busca de um fundo de recursos?
Esse foi o principal tema tratado na última Conferência das Partes que ocorreu em outubro do ano passado, na Índia. Os países concordaram em dobrar o aporte financeiro ate 2015 e isso é uma sinalização positiva. Pode não ser o suficiente para financiar tudo o que precisa, mas é um indicador positivo da disposição dos países de investir na biodiversidade.

Quais são as recomendações que podem ser adotadas no dia dia pelo cidadão comum?
A sociedade está envolvida e precisa ser mais envolvida. Desde a Rio92 [Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento], o Ministério do Meio Ambiente e outros parceiros têm feito pesquisas públicas sobre o que o brasileiro pensa sobre meio ambiente. As pesquisas mostram que a população brasileira está mais consciente sobre questões relacionadas ao meio ambiente, incluindo a biodiversidade. É visível a maior conscientização. A União para o Biocomercio Ético tem feito o Barômetro para a Biodiversidade que mostra que o Brasil é campeão em termos de conscientização, comparada à realidade de vários outros países. O problema é a distância entre o que as pessoas falam e a prática. Por exemplo, as pessoas estão preocupadas com o desmatamento e isso ficou claro durante a discussão sobre o Código Florestal, que provocou uma grande mobilização. Mas, quando você pergunta para as pessoas como elas estão incorporando isso no seu dia a dia, no seu consumo e nas atividades na empresa, no bairro e na escola, aí o nível de engajamento é muito baixo.

Fonte: Agência Brasil

Paulo Kliass: Quem se esqueceu do software livre?

As propostas de grupos como o Wikileaks e as ações mais recentes de Julian Assange, a partir do asilo concedido na Embaixada do Equador em Londres, recolocam no centro do debate político internacional questões essenciais que relacionam economia, poder e informática, nestes tempos de mudanças profundas nos padrões tecnológicos e culturais da sociedade contemporânea. A era da emergência das chamadas tecnologias da informação e comunicação (TICs).


Por Paulo Kliass*


No Brasil, o movimento pela democratização das condições de “ciência, tecnologia e inovação” encontra um espaço importante no movimento para disseminação do software livre. Afinal, convenhamos que é mesmo um absurdo ficarmos, todos nós, reféns das vontades e dos interesses de um punhado de poderosas mega-empresas da tecnologia virtual. É o caso da Microsoft e similares, que ganham fortunas apenas com os direitos autorais e de propriedade de seus programas, os chamados produtos software e aplicativos. Isso sem contar o enorme faturamento obtido também com a produção de máquinas e equipamentos, os produtos hardware. Usam e abusam de sua imensa influência para impedir o surgimento de outros caminhos. Escondem a 7 chaves os segredos de sua linguagem e de seus códigos, as fontes de seu poder no mercado e na sociedade.

Independência frente aos grandes grupos

Em razão desse tipo de constrangimento, é crescente o movimento de constituição de alternativas que não dependam desse tipo de amarração jurídica e financeira aos grandes grupos. Por todos os continentes são constituídos, a todo momento, grupos formais e comunidades informais de pesquisadores, profissionais e demais interessados, cujo objetivo é criar e oferecer, para toda a sociedade, o livre acesso aos mesmos tipos de programas de informática sem a necessidade de remunerar monetariamente direitos autorais ou de propriedade. São os chamados “free software”. Pra além do não pagamento, a idéia de “free” deve ser associada à liberdade para os usuários dominarem e abrirem a “caixa preta” dos sistemas. Com isso, os mesmos poderiam ser aperfeiçoados e reproduzidos de forma generalizada. O objetivo maior sendo a democratização do acesso e do uso dos programas.

No entanto, para que essa alternativa se viabilize e seja aceita de forma ampla, dentre os inúmeros universos de usuários existentes, é essencial que tais iniciativas contem com o apoio do Estado, por meio da formulação e implementação de políticas públicas para o setor. Afinal, as medidas estratégicas visando a universalização da inclusão digital deveriam incorporar a noção implícita de que o direito ao acesso ao mundo virtual é condição fundamental do exercício pleno da cidadania.

Apoio do Estado e políticas públicas

O apoio da Administração Pública pode vir sob diversas formas. A primeira delas é por meio de políticas de incentivo e financiamento ao desenvolvimento de software livre, tanto nas universidades e nos centros de pesquisa, quanto nos grupos informais e comunidades de ativistas. Com isso, contribuindo para criar massa crítica e para tornar permanente a formação de profissionais com esse perfil. Em segundo lugar, o Estado pode atuar de forma mais incisiva ao estabelecer que suas necessidades e solicitações de produtos e serviços de informática sejam direcionadas para o software livre. Com isso, ficaria assegurada uma demanda significativa para esse tipo de alternativa de programas e os orçamentos da União, dos estados e dos municípios deixariam de ser onerados pelos encargos com pagamento de direitos às grandes empresas de TICs. Em terceiro lugar, o Estado deve constituir fundos de financiamento específicos para o desenvolvimento desse tipo de programa, com o objetivo de disseminar sua utilização e oferecer condições de pesquisa e empreendedorismo para todos que desejem atuar com esse tipo de projeto. Finalmente, cabe aos órgãos governamentais exercer de forma mais incisiva seu papel de regulamentador e fiscalizador das condições de concorrência no mercado, para evitar as conhecidas práticas sob a forma de cartel ou abuso de poder econômico. 

Ascensão e queda no governo Lula

Como se pode perceber a tarefa é árdua e as oportunidades políticas não podem ser desperdiçadas. Assim, o processo da vitória de Lula nas eleições presidenciais e o início de seu mandato em 2003 foram vistos pelas entidades, grupos e indivíduos que atuavam na área como o grande momento para colocar o processo em marcha e transformar o sonho em realidade. O lema generalizado era: “Sim, é possível!”. Durante os primeiros anos de governo houve até mesmo um esboço de incentivo à ampliação do uso do software livre e de sua propagação como política pública federal. Diversos grupos de trabalho foram constituídos para implementação de medidas em áreas como: i) inclusão e acesso digitais; ii) aprofundamento da estratégia do governo eletrônico; e iii) universalização da produção e acesso ao software livre, dentro e fora dos órgãos governamentais.

Porém, a força das empresas do setor não esperou muito para se manifestar. E, pouco a pouco, os poderosos das TICs foram reconquistando o terreno, articulando junto a políticos influentes no Executivo e reforçando seu “lobby” junto ao Legislativo. O objetivo central era minar, ainda no nascedouro, essa chamada “aventura irresponsável” do software livre. Apesar de perder força no interior do governo, a iniciativa ainda se mantinha acesa na esfera de poder da Presidência da República. Tanto que o próprio Lula assinou, em 2005, a apresentação de uma importante diretiva para que o software livre fosse adotado como regra para o uso das políticas de informática no interior da Administração Pública.

O documento “Guia Livre: Referência de Migração para Software Livre do Governo Federal” estabelece uma estratégia para completar um processo que teve início logo no início do governo: romper a dependência tecnológica e financeira em relação aos grandes grupos. O texto assinado pelo Presidente não poderia ser mais claro a respeito de um engajamento com tal opção de política pública:

“Nos últimos três anos, implementamos uma forte política de independência tecnológica, de fortalecimento da pesquisa em computação de alto desempenho, de inclusão digital e de adoção do software livre. Elementos que compõem uma política industrial e uma estratégia de desenvolvimento nacional para esse setor.”

O texto de Lula refletia, com toda a certeza, o pensamento e a vontade da maioria dos integrantes de sua equipe de governo a respeito do assunto até o ano de 2005. O software livre era encarado como política pública e merecia o tratamento de prioridade. Vejamos outro trecho carregado de recados e significados:

“Quero agradecer a todos os que defendem o software livre e lutam pelo aprofundamento e ampliação dos direitos de cidadania em todo o mundo. As potencialidades e os desafios das novas tecnologias da informação têm cada vez mais importância para o efetivo exercício desses direitos. Em nosso ponto de vista, o acesso a esses avanços tecnológicos deve ser direito de todos e não privilégio de poucos. Por isso, o governo federal tem intensificado o diálogo democrático com a sociedade e tratado o software livre e a inclusão digital como política pública prioritária. Entre os resultados desse diálogo estão programas importantes em curso no País.” (grifo nosso)

Apesar dessa diretriz inequívoca, a questão do software livre foi, pouco a pouco, perdendo espaço na pauta de governo. O jogo de pressão das grandes empresas terminou por vencer a disputa, pois os dirigentes políticos não tiveram a coragem necessária para levar à frente esse importante projeto. O roteiro foi muito semelhante ao do que ocorreu com a submissão aos interesses dos banqueiros e do financismo, aos interesses das empreiteiras e das construtoras, aos interesses dos representantes do agronegócio e do latifúndio, aos interesses das empresas de telecomunicações e aos interesses dos grandes meios de comunicação. Neste caso, em particular, o governo terminou cedendo aos interesses dos grandes grupos de TICs. Tudo em nome da suposta necessidade de governabilidade. Tudo plenamente justificado pela busca de um modelo de realismo e pragmatismo políticos, que sempre termina por distorcer o sentido primeiro da conquista do poder: a transformação social.

Urgência em retomar o tema e o potencial do Brasil

O Brasil tem uma história recente que confirma seu potencial para alavancar um setor de computação competente e eficaz. Isso vem desde a antiga política nacional de informática, quando se pretendia desenvolver um setor nacional, com incentivos fiscais e estímulo governamental. Apesar dos problemas apresentados por tal estratégia, o fato é que o ingresso nos anos 1990, a adoção do receituário neoliberal e o mito da globalização acabaram por inviabilizar tal opção. Quando Collor escancarou de forma generosa e irresponsável o mercado brasileiro à concorrência internacional, não havia meios de resistir.

E, apesar da enorme pressão contra tudo o que fosse público, mesmo no interior da administração do Estado sempre houve ilhas excelência para desenvolvimento de programas e processos na área de informática. Era o exemplo do CPQD na Telebrás, antes de sua privatização. Ou então o caso do SERPRO, ainda operando para o governo federal no âmbito do Ministério da Fazenda. Isso significa que, caso o setor público venha a confirmar sua demanda por esse tipo de serviço, a sociedade brasileira pode criar as condições para sua implementação. O que falta, porém, é uma garantia de continuidade na política pública e o estímulo para que as novas gerações de profissionais e usuários sejam educadas e formadas em ambiente favorável ao uso do software livre.

Para além da questão da economia de recursos do orçamento - aspecto que não deve ser negligenciado de forma nenhuma, a política pública de software livre carrega consigo a noção de inclusão digital, de política industrial e de estratégia de desenvolvimento nacional. O desenvolvimento de capacitação econômica e profissional no setor de TICs internamente é essencial para um projeto de País. Um território de dimensões continentais como nosso, uma sociedade complexa como a brasileira, uma população tão numerosa como a que atingimos e uma estrutura econômica tão diversa e dispersa como a que temos não podem prescindir de uma política de tecnologia de comunicação e informação também autônoma, e que seja adaptada e voltada para os nossos problemas e desafios.

O monitoramento da Amazônia verde, o acompanhamento da Amazônia azul (o Oceano Atlântico de 200 milhas por quase 8.000 km de costas), os desdobramentos do Pré-Sal, o monitoramento das situações de riscos, os mecanismos de defesa de nossas fronteiras e tantos outros itens vitais não podem ser deixados para tratamento pelas grandes empresas do setor. Na verdade, trata-se de afirmar um desejo e uma necessidade de independência tecnológica e de soberania nacional. A política de software livre é tão somente a ponta do iceberg de um conjunto mais amplo de medidas para que o Brasil tenha condições de enfrentar de forma competente e robusta os desafios desse mundo cada vez mais multipolar.

A institucionalidade da Presidência da República ainda manteve a estrutura responsável por esse tipo de ação, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. O governo possui até mesmo um Plano Plurianual para o setor. Mas o quadro atual é muito distante daquele descrito por Lula há 7 anos atrás. Uma das evidências mais carregadas de simbolismo é que a página específica da internet parece que parou no tempo. É necessário que o governo se dê conta da importância do tema e recupere o espaço perdido, recolocando o software livre como prioridade em sua agenda. Para tanto, é essencial que lembremos, a todo instante, à equipe de Dilma Rousseff sobre a natureza estratégica dessa política pública: não se esqueçam jamais do software livre!

* Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Fonte: Brasil de Fato

África do Sul vai sediar a 5ª cúpula do Brics


A 5ª cúpula do Brics será realizada entre os dias 25 e 27 de março em Durban, na África do Sul. A finalização do acordo-quadro sobre a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics deve ser o principal tema. 
As figuras comerciais da África do Sul concordaram que o estabelecimento dessa instituição financeira tem grande importância aos cinco membros.

O Banco de Desenvolvimento do Brics deve oferecer fundo para construção de infraestrutura e projetos dos setores vitais. A entidade terá um fundo preliminar de US$ 50 bilhões, que pode ser destinado às obras transfronteiriças de infraestrutura no continente africano, para impulsionar as cooperações entre o Brics e outros países emergentes.

O secretário do Conselho Empresarial da África do Sul, Sandile Zungu, analisou que os países do Brics estão se dedicando à construção das infraestrutura. Porém, os empréstimos existentes com condições rigorosas desaceleram esse processo de desenvolvimento. 

Ele explicou que, neste contexto, a criação do banco é necessária. O ministro da Fazenda sul-africano, Pravin Gordhan, disse que o Banco de Desenvolvimento do Brics visa disponibilizar fundos limitados dos membros para investir na construção deles próprios, em particular a Índia e África do Sul. 

Fonte: Rádio Internacional da China

sábado, 2 de março de 2013

Bom final de semana...ao som de Eric Clapton (Wonderful Live Concert - 2009)


PT vai contra governo e quer projeto para regular mídia



Diretório Nacional da sigla aprovou resolução ontem em que anuncia apoio a projeto de lei de iniciativa popular

Fernando Gallo - enviado especial de O Estado de S. Paulo


FORTALEZA - O Diretório Nacional do PT aprovou nesta sexta-feira, 1º, após reunião em Fortaleza, resolução intitulada "Democratização da mídia é urgente e inadiável" na qual decide apoiar um projeto de lei de iniciativa popular para novo marco regulatório das comunicações.
A proposta já foi encampada por entidades como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). No último dia 20, o Ministério das Comunicações anunciou o adiamento da implantação do novo marco regulatório, que há tempos se encontra parado na pasta.
Na quarta-feira, questionado sobre o assunto em evento da CUT, o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, afirmou que isso não está na pauta do governo.
No documento aprovado ontem, o PT conclama o governo a "reconsiderar a atitude do Ministério das Comunicações, dando início à reforma do marco regulatório, bem como a abrir diálogo com os movimentos sociais e grupos da sociedade civil que lutam para democratizar as mídias no País" e também a "rever o pacote de isenções concedidos às empresas de telecomunicações" - no valor de R$ 60 bilhões, no contexto do Plano Nacional de Banda Larga -, "a reiniciar o processo de recuperação da Telebrás" e a "manter a neutralidade da internet". O diretório petista também conclama sua militância a se juntar a essa campanha.
Além disso, o texto afirma que o oligopólio que controla o sistema de mídia no Brasil "é um dos mais fortes obstáculos, nos dias de hoje, à transformação da realidade do nosso País".
Insistência. Em outra resolução também divulgada nesta sexta, o PT afirma que "a despeito das dificuldades para a instituição de um marco regulatório para a mídia, o PT continuará lutando pelo alargamento da liberdade de expressão no País".
"Como um direito social, contra qualquer tipo de censura, restrição ou discriminação, e insistindo junto ao Congresso Nacional para que dê eficácia aos artigos da Constituição que disciplinam o assunto".
Os petistas afirmam haver "necessidade de que as deliberações democraticamente aprovadas pela Conferência Nacional de Comunicação", realizada em Brasília em 2009, sejam implementadas pela União, "em especial aquelas que determinam a reforma do marco regulatório das comunicações, mudanças no regime de concessões de rádio e TV, adequação da produção e difusão de conteúdos às normas da Constituição Federal, e anistia às rádios comunitárias". 
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pt-vai-contra-governo-e-quer-projeto-para-regular-midia,1003349,0.htm

Bom dia, Mario Lago!


Nós estamos condicionados a
pensar que nossas vidas giram
em torno apenas de grandes momentos.
Todavia, os grandes momentos
frequentemente nos pegam desprevenidos, e
ficam maravilhosamente guardados em recantos
que os outros podem considerar sem importância.
E da mesma forma ocorrem outros momentos...
Mario Lago

Guia sobre a acumulação de bolsas de pesquisa com atividade profissional

Existem muitas dúvidas referentes ao acúmulo de bolsa com vínculo empregatício. Enquanto a CAPES não se posiciona definitivamente sobre o assunto - e considerando a interpretação equivocada de diversos programas de pós-graduação sobre o que vale atualmente - a ANPG elaborou um infográfico sobre as regras atuais.
Veja a cartilha e ajude a divulgar
Clique na imagem para ampliar

Fonte: http://www.anpg.org.br/gera_noticia.php?codigo=1625&tipo=1